Durante uma análise toxicológica, 100 mg de amostras de cabelo foram incubadas por 24h a 40 °C em solução tampão contendo β-glucuronidase/arilsulfatase. Essa etapa descreve o processo de
- A)descontaminação da amostra.
Errada, porque descontaminação remove sujeiras e contaminantes externos do cabelo, e não quebra conjugados por ação enzimática.
- B)derivatização alcalina.
Errada, porque derivatização é uma modificação química do analito para análise, enquanto aqui houve incubação com enzimas para hidrólise.
- C)digestão enzimática.
Certa, porque beta-glucuronidase/arilsulfatase fazem digestão enzimática ao desconjugar metabólitos presentes na amostra.
- D)extração em fase sólida.
Errada, porque extração em fase sólida é uma técnica de separação/purificação, não uma incubação enzimática prolongada.
- E)extração em camada delgada.
Errada, porque extração em camada delgada não descreve esse tipo de preparo e nem envolve hidrólise enzimática.
Gabarito: C
Em toxicologia de cabelo, antes de medir a substância de interesse, muitas vezes a amostra passa por uma etapa de preparo para liberar o que está preso à matriz capilar. Isso é importante porque o cabelo pode reter metabólitos em formas conjugadas, como glucuronídeos e sulfatos, que não aparecem bem na análise direta. A solução com beta-glucuronidase/arilsulfatase, incubada por várias horas em temperatura controlada, serve justamente para quebrar essas ligações e liberar os compostos para detecção. Então, quando o enunciado fala em 24 h a 40 °C em tampão com beta-glucuronidase/arilsulfatase, ele está descrevendo digestão enzimática. É uma etapa clássica de preparo da amostra em que enzimas ajudam a desconjugar metabólitos, melhorando a recuperação analítica. Em outras palavras: a enzima faz o trabalho pesado para você não precisar "arrancar" o analito na marra. Essa etapa não é descontaminação, porque descontaminação serve para remover contaminantes externos do cabelo, como poeira, suor ou exposição ambiental. Também não é derivatização, porque derivatizar é modificar quimicamente o analito para facilitar a análise, e aqui o foco é quebrar conjugados, não transformar o composto em um derivado analítico. Na prática laboratorial, a digestão enzimática é muito associada à etapa de preparação em amostras biológicas com metabólitos conjugados. Por isso o gabarito C está correto: beta-glucuronidase e arilsulfatase são enzimas usadas para hidrólise de conjugados, liberando os analitos antes da etapa instrumental.