Um dos riscos nas instalações elétricas é o surgimento de arcos e descargas, devido ao rompimento dos elementos isolantes ou dielétricos, em função de surtos e do surgimento de grandes diferenças de potenciais entre as partes energizadas, ou entre uma parte energizada e uma parte aterrada. Por essa razão, nos sistemas de alta tensão
- A)é proibido o uso de vidro ou cerâmica como material isolante, uma vez que eles aumentam o risco do surgimento de arcos e descargas.
Errada: vidro e cerâmica podem ser usados como isoladores, dependendo do projeto e da aplicação.
- B)todos os elementos condutores, inclusive as fases energizadas do sistema elétrico, são aterrados e protegidos contra intempéries, para reduzir o risco do surgimento de arcos e descargas.
Errada: fases energizadas não são aterradas; o aterramento é usado de forma controlada em partes específicas e na proteção.
- C)seus condutores somente são instalados em eletrodutos enterrados, perfazendo redes subterrâneas, para reduzir o risco do surgimento de arcos e descargas.
Errada: nem todos os condutores de alta tensão ficam em eletrodutos enterrados, pois muitas redes são aéreas.
- D)observa-se que elementos condutores energizados, sem isolamento, mas expostos ao ar livre, encontram-se posicionados distante do solo e de partes metálicas, suportados por isoladores, para reduzir o risco do surgimento de arcos e descargas.
Certa: em alta tensão, é comum manter condutores energizados expostos ao ar, afastados e sustentados por isoladores.
- E)nota-se que todas as fases e partes metálicas de equipamentos, como transformadores, estão sempre isolados e desconectados de qualquer aterramento, o que poderia aumentar o risco do surgimento de arcos e descargas.
Errada: partes metálicas de equipamentos normalmente são aterradas para proteção, e não desconectadas do aterramento.
Gabarito: D
Em sistemas de alta tensão, o principal cuidado não é “esconder” tudo dentro de parede, nem sair aterrando qualquer parte viva sem critério. O ponto central é controlar o campo elétrico e manter distâncias adequadas entre partes energizadas, o solo e partes metálicas, justamente para evitar arco elétrico e descargas. Quando a tensão sobe, o ar deixa de ser um simples “vazio” e pode virar caminho para a corrente se a separação for insuficiente. Por isso, em linhas e instalações de alta tensão ao ar livre, é comum ver condutores energizados sem isolamento, suspensos e afastados do solo, de estruturas metálicas e de outras partes condutoras, apoiados em isoladores. Esses isoladores fazem o trabalho de sustentar mecanicamente e isolar eletricamente o condutor, reduzindo a chance de fuga de corrente e de formação de arco. A alternativa D descreve exatamente essa lógica. Em alta tensão, a segurança depende de afastamento, isolação adequada e suporte por isoladores, e não de “encapar tudo” como se fosse baixa tensão residencial. Na prática, isso é compatível com os princípios das instalações de alta tensão previstos na ABNT NBR 14039 e nas regras de segurança da NR-10. As demais opções misturam conceitos: aterramento de partes vivas, proibição geral de certos materiais, ou ideia de que tudo deve ser enterrado ou desconectado do aterramento. Em alta tensão, isso não fecha com a técnica nem com a segurança. O gabarito é D porque traduz o arranjo típico das redes aéreas de alta tensão.