Os jogos e os brinquedos tradicionais são importantes campos de conhecimento, especialmente quando se pensa neles na dimensão do lazer. Segundo Marcelino (2002), diversos fatores têm contribuído para o desaparecimento dos jogos e das brincadeiras tradicionais, principalmente nos grandes centros urbanos. Para o autor, a preservação e a revitalização dos jogos e das brincadeiras tradicionais não deve ser objeto de mero saudosismo ou de uma oposição ineficaz ao desenvolvimento tecnológico, mas deve ter como propósito:
- A)fortalecer as raízes étnicas, permitindo o acesso da criança a estes conhecimentos para que ela seja capaz de retratá-las no dia do Folclore ou em outra data comemorativa congênere
Errada, porque reduz os jogos tradicionais a uma função folclórica e comemorativa, como se servissem só para datas especiais.
- B)possibilitar à criança o conhecimento de um ofício por meio da construção de brinquedos e jogos com materiais recicláveis, garantindo o ingresso dela em um curso técnico integrado
Errada, porque desloca o foco para formação técnica e reciclagem de materiais, o que não é a finalidade apontada pelo autor.
- C)garantir a formação holística da criança, de modo que ela seja capaz de reconhecer, na tradição ocidental, a maneira de preservar o que há de melhor para a humanidade
Errada, porque fala em formação holística de forma genérica e ainda restringe a reflexão a uma tradição ocidental, sem tocar no sentido cultural do brincar.
- D)oferecer à criança o tempo e o espaço necessários para ela produzir cultura, e não apenas ser possuidora de mercadorias, que, muitas vezes, nem são utilizadas
Certa, porque retoma a ideia central de Marcelino: jogos e brinquedos tradicionais devem permitir que a criança produza cultura, e não apenas consuma mercadorias.
Gabarito: D
Os jogos e as brincadeiras tradicionais não são só "passatempo antigo". Eles fazem parte da cultura corporal e ajudam a criança a conhecer, experimentar e reinventar formas de convivência, movimento e imaginação. Marcelino, ao tratar do lazer, critica a ideia de que preservar essas práticas seja apenas saudosismo. O ponto central é outro: elas precisam continuar vivas porque são experiências culturais ricas, acessíveis e formadoras. Na escola, isso é muito importante porque a Educação Física não deve se limitar a ensinar gestos prontos ou consumir novidades o tempo todo. Quando a criança brinca de amarelinha, roda, pega-pega ou elabora brinquedos com a turma, ela participa ativamente da produção de cultura. Não fica só como consumidora de produtos e entretenimentos industrializados, mas cria, adapta, combina e dá sentido ao brincar. É exatamente isso que a alternativa D expressa. A preservação e revitalização dos jogos e brinquedos tradicionais devem oferecer à criança tempo e espaço para produzir cultura, e não apenas acumular mercadorias que muitas vezes nem são usadas. Ou seja, o valor está na experiência, na criação e na socialização, não no apego ao "velho por velho". Esse pensamento dialoga com a concepção de lazer como direito cultural e prática de participação, muito trabalhada por Marcelino. Na escola, ele também conversa com a ideia de educação voltada à formação integral, em que o aluno não é espectador passivo, mas sujeito que cria e recria a própria cultura corporal.