Embora o esporte de alto nível estivesse presente no interior da sociedade brasileira desde os anos 1920 e 1930, Mauro Betti (1991), em sua conhecida obra “Educação Física e Sociedade”, relata que, de 1969 a 1979, o Brasil observou a ascensão do esporte devido à inclusão do binômio Educação Física/Esporte na planificação estratégica do governo militar. Nessa época, a influência do esporte no sistema educacional é tamanha que, conforme problematiza o Coletivo de Autores (1992), não se poderia definir como esporte da escola, mas sim o esporte na escola. Isso indica, segundo os autores:
- A)a adaptação pedagógica do esporte às especificidades dos estudantes, caracterizando-se o esporte na escola como uma possibilidade de promover reflexões sobre o respeito às diferenças
Errada, porque fala em adaptação pedagógica do esporte às diferenças dos estudantes, o que é justamente o oposto da crítica feita pelo texto.
- B)a prática do esporte com o objetivo de formar atletas e encontrar talentos, caracterizando-se o esporte na escola como uma proposta especificamente de lazer e recreação
Errada, porque associa esporte escolar à formação de atletas e talentos, além de misturar isso com lazer e recreação, o que não corresponde ao sentido discutido.
- C)a subordinação da Educação Física aos códigos e/ou sentido da instituição esportiva, caracterizando-se o esporte na escola como um prolongamento da instituição esportiva
Certa, porque expressa a subordinação da Educação Física aos códigos e sentidos da instituição esportiva, isto é, o esporte entrando na escola sem perder sua lógica original.
- D)a ressignificação das regras para incluir todos e todas, caracterizando-se o esporte na escola como um fundamento essencial para promover uma perspectiva inclusiva da Educação Física escolar
Errada, porque descreve uma ressignificação inclusiva das regras, ideia mais próxima de uma abordagem pedagógica crítica, e não da crítica ao esporte reproduzido na escola.
Gabarito: C
A expressão “esporte na escola” aparece quando o esporte entra na aula sem mudar sua lógica principal: ele continua obedecendo aos códigos, à lógica competitiva e aos valores da instituição esportiva. Em vez de ser ajustado ao projeto pedagógico da Educação Física, o esporte acaba mandando na aula, e não o contrário. É como se a escola abrisse a porta para o esporte entrar, mas deixasse ele organizar a casa inteira. O Coletivo de Autores, na abordagem crítico-superadora, critica justamente essa submissão da Educação Física ao modelo esportivo dominante. Para eles, quando a escola apenas reproduz o esporte de rendimento, há um prolongamento da instituição esportiva dentro do ambiente escolar, com foco em seleção, desempenho e exclusão dos menos habilidosos. Por isso, o gabarito é a letra C: ela traduz exatamente a ideia de subordinação da Educação Física aos códigos e ao sentido da instituição esportiva. A aula deixa de ter finalidade formativa ampla e passa a funcionar como treinamento esportivo disfarçado de conteúdo escolar. Em concursos, fique atento: o ponto central não é adaptar o esporte para a escola, mas criticar quando a escola se adapta ao esporte. É essa inversão que a banca quer cobrar.