O envelhecimento é marcado por alterações fisiológicas e declínio funcional, aumentando a vulnerabilidade a doenças e à mortalidade. A prática de exercícios desempenha um importante papel na modulação do envelhecimento, prevenindo ou melhorando doenças relacionadas ao estilo de vida, reduzindo a carga de doenças crônicas e promovendo maior saúde e longevidade. A esse respeito, analise as afirmativas a seguir. I. As recomendações e diretrizes atuais para atividade física em idosos geralmente defendem um regime de exercícios variado, que inclui treinamento aeróbico, de força, de equilíbrio e de mobilidade, por meio de atividades estruturadas e casuais (da rotina diária). II. Começando com exercícios de baixa intensidade, a duração, a frequência e a própria intensidade do programa de exercícios são gradualmente aumentadas. Essa abordagem permite que os indivíduos se adaptem às novas demandas físicas e reduzam o risco de lesões ou fadiga excessiva. III. O exercício aeróbico é o mais importante na manutenção da saúde e autonomia de idosos, melhorando, por si só, a força muscular e o equilíbrio dessa população. Está correto o que se afirma em
- A)I, apenas.
A alternativa afirma que apenas a afirmativa I está correta, isto é, que as diretrizes para idosos valorizam um programa variado, com exercícios aeróbicos, de força, equilíbrio e mobilidade, inclusive nas atividades do dia a dia. O problema é que a afirmativa II também está correta, porque a progressão gradual de intensidade, duração e frequência é um princípio básico para adaptação e segurança no exercício. Assim, a alternativa fica incompleta ao excluir uma proposição verdadeira.
- B)I e II, apenas.
A alternativa sustenta que as afirmativas I e II estão corretas. Isso procede porque as recomendações atuais para idosos são multicomponentes, combinando treino aeróbico, força, equilíbrio e mobilidade, e também orientam iniciar com menor intensidade e avançar aos poucos para reduzir risco de lesões e fadiga. Esse raciocínio está alinhado com diretrizes de entidades como a OMS e o ACSM, que defendem variedade e progressão no planejamento do exercício.
- C)I e III, apenas.
A alternativa diz que apenas I e III estão corretas, ou seja, aceita a ideia de um programa variado para idosos e também a tese de que o exercício aeróbico, sozinho, seria o principal responsável por manter saúde, autonomia, força e equilíbrio. O erro está na afirmativa III: atividade aeróbica é importante para o condicionamento cardiorrespiratório e para a saúde geral, mas não substitui treino de força e de equilíbrio, que são os componentes mais diretamente ligados à preservação da massa muscular e à prevenção de quedas. Por isso, não se pode atribuir ao aeróbico, por si só, a melhora dessas capacidades.
- D)II e III, apenas.
A alternativa afirma que as afirmativas II e III estão corretas. A II realmente está correta ao propor progressão gradual do treinamento, mas a III erra ao tratar o exercício aeróbico como suficiente para melhorar força muscular e equilíbrio de forma isolada. Além disso, a afirmativa I também é verdadeira, pois as recomendações para idosos são justamente multicomponentes, de modo que a alternativa omite uma proposição válida e inclui outra incorreta.
- E)I, II e III.
A alternativa afirma que as três afirmativas estão corretas. Embora I e II estejam de acordo com as recomendações para idosos, a III extrapola o papel do exercício aeróbico ao dizer que ele, sozinho, melhora força e equilíbrio, o que não é sustentado pela evidência prática nem pelas diretrizes. Para autonomia funcional e prevenção de quedas, são necessários também treino de força e de equilíbrio, de modo que a inclusão da III torna a alternativa errada.
Gabarito: B
Quando o assunto é atividade física para idosos, a lógica das diretrizes atuais é bem prática: não basta só caminhar, nem só fazer musculação. O melhor cenário costuma combinar exercícios aeróbicos, de força, de equilíbrio e de mobilidade, porque o envelhecimento mexe com vários sistemas ao mesmo tempo. Por isso, a afirmativa I está correta: a ideia é um programa variado, com atividades estruturadas e também com movimento incorporado à rotina do dia a dia. A afirmativa II também está certa porque, em idosos, o exercício deve começar com cuidado e progressão gradual. Primeiro entra a baixa intensidade, depois vêm os aumentos de duração, frequência e intensidade, conforme adaptação e segurança. Essa progressão reduz risco de lesão, fadiga excessiva e abandono precoce do programa - o famoso começo animado que termina em dor nas pernas no dia seguinte. Já a afirmativa III escorrega. O exercício aeróbico é muito importante para saúde cardiovascular e autonomia, mas ele não faz milagre sozinho: não substitui o treino de força nem resolve, por si só, a perda de massa muscular e os déficits de equilíbrio que aparecem com a idade. Para idosos, força e equilíbrio são peças centrais, não coadjuvantes. Assim, o gabarito é a letra B, porque somente as afirmativas I e II estão corretas. Em termos doutrinários e das recomendações de saúde pública, o envelhecimento ativo depende justamente dessa combinação de capacidades físicas, e não de um único tipo de exercício.