A temática lazer permite debate a partir da intervenção do professor de Educação Física (EF). Além de experimentações e vivências, uma perspectiva crítico-reflexiva sobre o lazer deve reforçar a ideia contida na alternativa:
- A)O uso do treinamento de força, em academias, como solução única para o sedentarismo.
Errada, porque reduz o problema do sedentarismo a uma solução única e tecnicista, ignorando a dimensão social do lazer.
- B)O conceito de futebol de alto rendimento e de seus padrões táticos atuais.
Errada, porque fala de alto rendimento esportivo, e não da reflexão crítica sobre lazer e suas desigualdades.
- C)A crítica sobre as desigualdades de acesso ao lazer pela classe trabalhadora.
Certa, porque o lazer deve ser analisado também como direito social, marcado por desigualdades de acesso e condições materiais.
- D)O princípio da positividade e a noção em que basta o indivíduo querer para que possa vivenciar seu momento de lazer e atividade física.
Errada, porque cai no discurso individualista de que basta querer, apagando as barreiras sociais e econômicas ao lazer.
- E)A promoção da saúde deve focalizar o comportamento individual do cidadão e a obtenção de exames médicos saudáveis.
Errada, porque desloca a promoção da saúde para a responsabilidade individual e para exames, em vez de olhar os determinantes sociais.
Gabarito: C
Quando a Educação Física entra no tema lazer, a discussão não pode ficar só na ideia de "fazer por fazer" ou de repetir atividades prontas. Uma perspectiva crítico-reflexiva pede que você olhe para o lazer como um direito social, ligado às condições reais de vida, ao tempo livre disponível e às oportunidades concretas de participação. Na prática, isso significa perceber que nem todo mundo acessa lazer do mesmo jeito. Jornada de trabalho extensa, falta de espaços públicos, custo de academias e clubes, insegurança urbana e desigualdade social mudam totalmente a experiência de lazer. Então, o professor de EF não deve vender uma visão mágica do tipo "basta querer". É aí que o gabarito C faz sentido: ele traz a crítica às desigualdades de acesso ao lazer pela classe trabalhadora. Essa é a leitura mais alinhada com uma abordagem crítica, que entende o lazer como fenômeno social e não apenas como escolha individual. Em outras palavras, o problema não está só na vontade da pessoa, mas nas barreiras sociais que limitam a vivência do lazer. Essa visão conversa com o direito ao lazer previsto na Constituição Federal de 1988, art. 6º, e com a ideia de educação voltada para a formação crítica. Em prova da FGV, desconfie sempre de respostas que transformam um tema social em responsabilidade exclusiva do indivíduo. A banca gosta desse truque com cara de "motivação", mas com conteúdo bem pobre.