A promoção da saúde, num enfoque biológico, favoreceu ações de culpabilização do indivíduo pelos eventuais sucessos e fracassos no que se refere ao que é considerável saudável. Já uma perspectiva calcada no campo atual da Saúde Coletiva preconiza os seguintes aspectos:
- A)Debate sobre condicionantes socioculturais, econômicos e laborais que afetam a adesão da população à atividade física.
Certa, porque considera os determinantes sociais, econômicos, culturais e do trabalho que influenciam a prática de atividade física.
- B)Difusão de campanhas motivadoras da prática esportiva com o lema: “Esporte: basta querer para praticar”.
Errada, porque reduz a prática esportiva a motivação individual, ignorando as barreiras sociais e materiais.
- C)Favorecimento da formação profissional, em Educação Física, com enfoque majoritário na subárea biodinâmica.
Errada, porque fala de formação profissional em uma subárea específica, o que não expressa a perspectiva ampla da Saúde Coletiva.
- D)Reforço da noção de saúde como conjunto de variáveis fisiológicas adequadas.
Errada, porque mantém a noção restrita de saúde como simples ajuste de variáveis fisiológicas.
- E)Valorização do culto ao corpo greco-romano.
Errada, porque valoriza um ideal estético de corpo, não uma compreensão social e crítica da saúde.
Gabarito: A
A questão contrasta duas formas de enxergar saúde. No enfoque biológico, a atenção fica quase toda no corpo como máquina: peso, pressão, glicose, desempenho e pronto. O problema é que isso costuma virar uma leitura moralista, como se a pessoa fosse a única responsável por estar saudável ou não. Já a Saúde Coletiva trabalha com uma visão mais ampla. Ela entende que saúde não depende só de vontade individual, mas também de condições de vida, trabalho, renda, moradia, cultura, acesso a serviços e ambiente. Ou seja, antes de cobrar que alguém faça atividade física, é preciso perguntar se essa pessoa tem tempo, segurança, estrutura e oportunidades para isso. Por isso, o gabarito é a letra A. Ela acerta exatamente ao falar em condicionantes socioculturais, econômicos e laborais que influenciam a adesão à atividade física. Esse é o tipo de leitura que conversa com os princípios do SUS, especialmente a integralidade e a equidade, e com a ideia de determinantes sociais da saúde, muito usada na Saúde Coletiva. As outras alternativas seguem a lógica do individualismo ou do corpo idealizado, bem mais próximas da visão biológica e de campanhas simplistas do tipo “basta querer”. Em prova da FGV, quando aparecer saúde e atividade física, desconfie de respostas que culpam o indivíduo e ignorem o contexto social.