Leia o trecho a seguir. Entretanto, se lutamos por uma sociedade mais justa, se achamos que não adiantam oportunidades iguais para todos sem as condições iguais de desenvolvimento de capacidades e aptidões, se somos contra a discriminação das crianças mais pobres na sala de aula ou na quadra de esportes, então precisamos optar por uma concepção __________ de educação. Ghiraldelli Jr, 1991, p. 11. Assinale a opção que apresenta o termo que preenche corretamente a lacuna.
- A)competitiva
Errada, porque uma concepção competitiva tende a valorizar desempenho e seleção, o que pode reforçar exclusões em vez de combatê-las.
- B)pedagogicista
Errada, porque a pedagogicista privilegia métodos e técnicas pedagógicas, mas não expressa, por si, esse compromisso social e igualitário do texto.
- C)liberal
Errada, porque a concepção liberal enfatiza liberdade individual e igualdade formal, sem enfrentar com a mesma força as desigualdades concretas de origem.
- D)progressista
Certa, porque a concepção progressista defende uma educação comprometida com justiça social, inclusão e superação das desigualdades.
Gabarito: D
O trecho do Ghiraldelli Jr. aponta para uma visão de educação que não aceita tratar todos como se partissem do mesmo ponto de largada. Se existem desigualdades sociais reais, a escola e a educação física escolar não podem fingir neutralidade absoluta: é preciso pensar em uma proposta que enfrente a discriminação e busque ampliar oportunidades de desenvolvimento para todos. Por isso, o gabarito é a concepção progressista de educação. Aqui, “progressista” não significa apenas algo moderno, mas uma visão comprometida com justiça social, criticidade e transformação da realidade escolar. A ideia central é: não basta igualdade formal, é preciso considerar as diferenças concretas entre os alunos para produzir inclusão de verdade. Na prática, isso conversa bastante com a Educação Física escolar que evita seleção precoce, exclusão dos menos habilidosos e competição como regra absoluta. A aula deixa de ser um “clube dos mais fortes” e passa a ser um espaço pedagógico de participação, cooperação e desenvolvimento humano. Em linhas doutrinárias, essa leitura dialoga com a crítica de Ghiraldelli Jr. às concepções que naturalizam desigualdades na escola. Então, quando o enunciado fala em combater discriminação das crianças mais pobres e defender condições iguais de desenvolvimento, ele está descrevendo exatamente uma perspectiva progressista de educação. É a escola olhando para a desigualdade de frente, sem maquiagem.