A capoeira constitui conteúdo importante para uma Educação Física antirracista. Para que um trabalho pedagógico seja efetivo nesse sentido, além das dimensões procedimental e conceitual, faz-se necessário o trabalho com a dimensão
- A)cognitiva, com viés de compreender em que ano a capoeira regional se tornou esporte nacional.
Errada, porque reduzir a capoeira a uma curiosidade cronológica é um recorte insuficiente e não enfrenta a dimensão social e antirracista do conteúdo.
- B)prática, na medida em que praticar os movimentos da capoeira é sinônimo de saúde.
Errada, porque praticar movimentos não é sinônimo de saúde e, além disso, a questão pede a dimensão pedagógica ligada ao enfrentamento do racismo.
- C)afetiva, no sentido de deixar à margem eventuais discussões sobre preconceitos raciais.
Errada, porque o trabalho antirracista exige justamente discutir preconceitos raciais, e não deixá-los à margem.
- D)atitudinal, com objetivo de desnaturalizar preconceitos raciais naturalizados em nossa sociedade.
Gabarito: D
A capoeira, na escola, não deve ser tratada só como técnica de movimentos ou como um conjunto de regras para executar golpes e gingas. Em uma Educação Física antirracista, ela precisa ser trabalhada como conteúdo cultural, histórico e social, porque carrega a memória da população negra, da resistência e das disputas contra o racismo no Brasil. Ou seja: não basta ensinar o “como fazer”; é preciso também discutir o “o que isso significa” e “como isso nos faz agir no mundo”. Na prática pedagógica, a capoeira dialoga com três dimensões clássicas do ensino dos conteúdos: procedimental, conceitual e atitudinal. A procedimental envolve fazer, experimentar, vivenciar; a conceitual trata de compreender a origem, os sentidos e os contextos; e a atitudinal mexe com valores, posturas e comportamentos. Quando o tema é antirracismo, essa última é indispensável, porque a escola precisa enfrentar preconceitos, estereótipos e naturalizações do racismo. É exatamente por isso que o gabarito é a letra D. O trabalho com a capoeira deve ajudar você e os estudantes a desnaturalizar preconceitos raciais que ainda estão presentes na sociedade, promovendo respeito, reconhecimento e valorização da cultura afro-brasileira. Isso conversa diretamente com a Lei 10.639/2003, que tornou obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana na educação básica, reforçando a importância de uma abordagem que vá além do gesto motor. Então, se a capoeira entra na aula como ferramenta de formação humana, ela não serve só para movimentar o corpo, mas também para formar atitude. E, em prova de concurso, quando aparecer racismo + conteúdo escolar + Educação Física, pense logo: o objetivo não é decorar o movimento, é educar para conviver, reconhecer e combater preconceitos.