No campo da Educação Física, o currículo permanece como temática tensionada e alvo de frequentes disputas. Nesse sentido, numerosos autores argumentam que a Base Nacional Comum Curricular – em especial, no que se refere ao Ensino Médio – impacta sobremaneira a disciplina. Assinale a opção que indica, no contexto do Ensino Médio, um reflexo negativo que a Base Nacional Comum Curricular pode trazer para a Educação Física.
- A)O fortalecimento da Educação Física enquanto itinerário formativo obrigatório em todo o Ensino Médio.
Errada, porque a BNCC não transformou a Educação Física em itinerário formativo obrigatório em todo o Ensino Médio; ao contrário, ela pode reduzir sua presença comum.
- B)A readequação da Educação Física, no Ensino Médio, enquanto área tecnológica da saúde e dos cuidados físicos.
Errada, porque a BNCC não reclassifica a Educação Física como área tecnológica da saúde, e essa formulação não corresponde à organização curricular prevista.
- C)O uso da Educação Física enquanto instrumento político-ideológico favorável ao materialismo histórico-dialético.
Errada, porque a BNCC não trata a Educação Física como instrumento político-ideológico favorável ao materialismo histórico-dialético; isso foge completamente do texto normativo.
- D)O enfraquecimento da Educação Física enquanto componente curricular e de sua importância em meio aos itinerários formativos.
Certa, porque um efeito criticado da BNCC no Ensino Médio é justamente o enfraquecimento da Educação Física como componente curricular diante da flexibilização e dos itinerários formativos.
- E)A fragmentação da Educação física entre as áreas da linguagem e das tecnologias matemáticas.
Errada, porque a Educação Física é situada na área de Linguagens na BNCC, mas não é “fragmentada” entre linguagem e tecnologias matemáticas como diz a alternativa.
Gabarito: D
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) reorganizou a Educação Física no Ensino Médio dentro da área de Linguagens, o que gerou muitas críticas na literatura da área. O ponto central da disputa é este: em vez de consolidar a disciplina como componente curricular com presença forte e universal, a BNCC abre espaço para arranjos mais flexíveis e para os itinerários formativos, o que pode reduzir seu peso na formação comum. Na prática, isso significa menos garantia de presença contínua da Educação Física para todos os estudantes do Ensino Médio. Como a lógica da etapa ficou mais ligada à flexibilização curricular, vários autores apontam risco de esvaziamento da disciplina, com perda de identidade e de importância dentro da escola. Ou seja, a aula não some, mas pode virar figura secundária no cardápio curricular. É exatamente por isso que a alternativa D está correta: ela traduz o reflexo negativo mais citado, que é o enfraquecimento da Educação Física como componente curricular diante dos itinerários formativos. A crítica é doutrinária e muito presente no debate educacional pós-BNCC, especialmente sobre a redução da formação comum e a fragmentação do currículo no Ensino Médio. Em resumo: a BNCC não é “proibitiva”, mas pode produzir um efeito de diminuição da centralidade da Educação Física. Em concurso, quando aparecer essa conversa de itinerários, desconfie: a banca costuma cobrar justamente o risco de a disciplina perder espaço e relevância na etapa final da educação básica.