O processo de formação histórica do campo da Educação Física – especialmente no que se refere ao final do século XIX e ao início do século XX – é marcado por uma concepção
- A)médico-higienista.
Correta, porque no fim do século XIX e início do século XX a Educação Física foi marcada pela visão médico-higienista, ligada à saúde, higiene e disciplina corporal.
- B)materialista histórico-dialética.
Errada, porque a concepção materialista histórico-dialética é uma leitura crítica posterior, não a matriz histórica dominante desse período.
- C)foucaultiana.
Errada, porque a abordagem foucaultiana é uma interpretação teórica contemporânea sobre poder e corpo, não a concepção histórica da época descrita.
- D)multi-intercultural.
Errada, porque a perspectiva multi-intercultural é bem mais recente e ligada à diversidade cultural, não ao higienismo do início da formação do campo.
- E)esportivista-cooperativista.
Errada, porque o esportivismo-cooperativista não caracteriza a matriz predominante do final do século XIX e início do XX, que foi antes higienista e medicalizante.
Gabarito: A
No final do século XIX e no começo do século XX, a Educação Física no Brasil e em muitos países foi fortemente influenciada por ideias de saúde pública, higiene e controle dos corpos. A lógica da época era simples: um corpo forte, limpo e disciplinado ajudaria a formar cidadãos considerados mais produtivos e “civilizados”. Por isso, a área nasceu muito ligada à medicina e à higiene, e não ainda a uma visão pedagógica crítica como se entende hoje. Essa influência aparece na chamada concepção médico-higienista. Nela, a Educação Física era vista quase como uma ferramenta de prevenção de doenças, correção postural e melhoria da saúde coletiva. Em outras palavras, o foco não era esporte pelo esporte nem reflexão social aprofundada, mas a formação de hábitos corporais saudáveis e disciplinados. É por isso que o gabarito é a letra A. O enunciado pede justamente a concepção que marca a formação histórica do campo nesse período, e a resposta clássica é a médico-higienista. Em concursos, especialmente na abordagem histórica da Educação Física, esse recorte temporal costuma aparecer associado também ao militarismo e ao higienismo, mas, quando a banca destaca final do século XIX e início do XX, a chave mais esperada é essa. Então, se a questão falar em corpo como objeto de saúde, limpeza, disciplina e prevenção, acenda o alerta: está com cara de médico-higienista. É a fase em que a Educação Física ainda estava bem longe de uma proposta crítica e muito próxima de um projeto de controle social do corpo.