As concepções de Educação Física – ao longo do tempo – passaram por inúmeras tensões e processos de ressignificação. Em especial, a seguinte abordagem foi pioneira na oposição aos ideais esportivistas que prevaleciam na área:
- A)psicomotricidade.
Correta, porque a psicomotricidade foi uma das primeiras abordagens a questionar o esporte como centro da Educação Física escolar, valorizando o desenvolvimento integral.
- B)crítico-superadora.
Errada, porque a abordagem crítico-superadora é posterior e faz uma crítica social e pedagógica mais ampla, não sendo a pioneira contra o esportivismo.
- C)crítico-emancipatória.
Errada, porque a crítico-emancipatória também é posterior e se destaca pela reflexão crítica e pela autonomia, não pela ruptura inicial com o modelo esportivista.
- D)construtivista.
Errada, porque a construtivista prioriza a construção do conhecimento pelo aluno, mas não é a primeira reação histórica aos ideais esportivistas.
- E)cultural.
Errada, porque a abordagem cultural é mais recente e valoriza as diversas manifestações da cultura corporal, sem ser a pioneira nessa oposição.
Gabarito: A
A história da Educação Física no Brasil mostra uma virada interessante: por muito tempo, a área ficou muito ligada ao rendimento, à disciplina do corpo e ao modelo esportivista. Nesse cenário, algumas abordagens passaram a questionar essa visão mais “treinadora” e reduziram a centralidade do esporte competitivo na escola. A psicomotricidade foi pioneira nessa oposição porque deslocou o foco do gesto esportivo para o desenvolvimento global do aluno, valorizando corpo, movimento, cognição e afetividade de forma integrada. Em vez de priorizar apenas técnica, performance e seleção dos mais habilidosos, ela defendeu o movimento como meio educativo, ligado ao desenvolvimento infantil e à aprendizagem. Ou seja: ela não nasceu para formar campeões, mas para formar sujeitos mais completos. Esse é o ponto que derruba a lógica esportivista dominante. Por isso, entre as alternativas, a letra A está correta. As demais propostas vieram depois e também criticaram o modelo tradicional, mas em outros registros teóricos, mais ligados à crítica social, à emancipação, à construção do conhecimento ou às discussões culturais do movimento.