Observe o trecho de reportagem a seguir: “Ainda de acordo com César, a falta de punição é a principal causa de reincidência de confrontos entre torcedores. ‘Uma alteração legislativa seria o caminho para que as autoridades pudessem aplicar com mais rigor as leis pertinentes ao Estatuto do Torcedor e ao Código Penal. O endurecimento das leis, facilitaria uma maior punição a esses torcedores e, consequentemente, os casos de violência diminuíram, acredita.’” (In: https://cultura.uol.com.br/esporte/noticias/2022/08/01/3887_violencia-entre-torcidas-problema-assombra-o-futebol-brasileiro-desde-a-decada-de-90.html) Excetuando-se a perspectiva punitivista apresentada no fragmento acima, a Educação Física escolar poderia contribuir com o combate à violência no esporte
- A)refletindo sobre como o futebol brasileiro perdeu destaque, quanto ao seu desempenho, no cenário internacional.
Errada, porque analisar a perda de destaque do futebol brasileiro não enfrenta diretamente a violência no esporte nem propõe intervenção pedagógica consistente.
- B)praticando os diversos esportes como forma de melhorar o desempenho do aluno-atleta.
Errada, porque praticar esportes melhora vivências corporais, mas não basta, por si só, para combater a violência sem reflexão crítica e trabalho formativo.
- C)treinando os alunos para os fundamentos esportivos, pois a tarefa central da disciplina é a iniciação esportiva.
Errada, porque reduz a Educação Física à iniciação esportiva e ao treino de fundamentos, o que é uma visão limitada da disciplina na escola.
- D)discutindo o tema, em aula, a partir de debates, resenhas e análises críticas de documentários.
Certa, porque a Educação Física escolar pode combater a violência promovendo debate, análise crítica e reflexão sobre o esporte e seus conflitos.
Gabarito: D
A questão contrapõe duas maneiras de enfrentar a violência no esporte: uma lógica punitivista, focada só em endurecer penas, e uma abordagem educativa, que atua na formação do estudante. Na Educação Física escolar, o objetivo não é apenas ensinar regras do jogo ou melhorar rendimento, mas também contribuir para a formação cidadã, ética e crítica do aluno. Isso faz toda a diferença, porque a escola trabalha com cultura corporal e com valores que atravessam o esporte, como respeito, cooperação, diálogo e convivência com as diferenças. Nesse contexto, a disciplina pode e deve discutir episódios de violência no futebol, racismo, fanatismo, machismo e outras práticas que aparecem no universo esportivo. Ao trazer debates, resenhas, análise de documentários e outros recursos reflexivos, o professor ajuda o aluno a entender o esporte para além da competição. Ou seja, em vez de tratar a violência como algo que se resolve só com punição, a escola atua na raiz do problema, formando sujeitos mais críticos e menos propensos a reproduzir essas condutas. É por isso que o gabarito é a letra D. Ela apresenta exatamente uma ação pedagógica coerente com a função social da Educação Física escolar: problematizar o tema em aula e ampliar a leitura crítica do fenômeno esportivo. Essa visão conversa com a BNCC e com a ideia de que a Educação Física deve abordar as práticas corporais como manifestações culturais, promovendo reflexão, participação e respeito. As demais alternativas ficam presas a uma lógica esportivista ou tecnicista, como se a disciplina servisse para treinar atleta ou lamentar desempenho internacional. Em concurso, sempre desconfie quando a resposta tenta transformar a Educação Física escolar em escolinha de rendimento. A escola é muito mais do que isso.