Analise o fragmento a seguir. “Os relatos geraram debate sobre, por exemplo, a presença feminina em manifestações desportivas que até hoje resistem à participação deste público, como o futsal e esportes de combate. De outro lado, a discussão sobre a participação masculina em atividades rítmicas e expressivas também foi notável. O diálogo ocorrido proporcionou o enfrentamento e desconstrução inicial de certas associações preconceituosas que são naturalizadas na disciplina em questão, permitindo que os alunos lançassem um olhar crítico sobre opiniões cristalizadas sobre estes assuntos.” (In: CASTRO, P. H. Z. C. de; BAPTISTA, G. G. Didática multicultural e educação física: Entre a escola e a formação inicial. Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 1, p. 0557–0575, 2022) Os relatos presentes no trecho estão coerentes com uma proposta de avaliação
- A)final.
Errada, porque a avaliação final ocorre ao término de um percurso para verificar resultados, e não para levantar concepções iniciais dos alunos.
- B)eventual.
Errada, pois a avaliação eventual é esporádica e sem foco pedagógico tão claro, enquanto o trecho mostra uma ação planejada de levantamento de ideias da turma.
- C)classificatória-organizativa.
Errada, porque a avaliação classificatória-organizativa busca ordenar, ranquear ou separar grupos, e aqui o objetivo é compreender e problematizar percepções dos estudantes.
- D)diagnóstica.
Certa, porque os relatos permitem identificar conhecimentos prévios, atitudes e preconceitos da turma, o que caracteriza avaliação diagnóstica.
Gabarito: D
A questão gira em torno do tipo de avaliação em Educação Física escolar. Quando o professor usa relatos, falas e debates dos alunos para perceber concepções, preconceitos e saberes prévios sobre gênero e participação nas práticas corporais, ele está olhando para o ponto de partida da turma. Isso é bem típico da avaliação diagnóstica: ela serve para levantar conhecimentos, atitudes e dificuldades iniciais, antes de organizar melhor a intervenção pedagógica. Perceba que o trecho não mostra uma prova final, nem uma checagem ao término de um conteúdo. Também não se trata de uma avaliação eventual, feita de modo esporádico e sem intencionalidade pedagógica clara, nem de uma classificação dos alunos por desempenho. O foco está em compreender o que a turma pensa para, a partir daí, promover reflexão e desconstrução de estereótipos. Na Educação Física escolar, essa lógica dialoga com a função formativa e com a abordagem crítica da disciplina, muito associada aos PCN e às discussões contemporâneas sobre cultura corporal, diversidade e inclusão. A avaliação não fica só no desempenho motor: ela também observa atitudes, valores e representações. E aí o professor ganha um mapa da turma, o que é muito mais útil do que sair atirando nota para todo lado. Por isso, o gabarito é a alternativa D. Os relatos descritos no enunciado são justamente materiais que permitem diagnosticar concepções iniciais dos estudantes sobre gênero e práticas corporais, orientando o trabalho pedagógico subsequente.