Autores do campo da Educação Física e da Saúde Coletiva têm lançado olhar profundo quanto à culpabilização do indivíduo como único responsável por sua saúde. Na esteira desse pensamento, a noção de saúde deve – além do indivíduo – levar em conta
- A)fatores individuais e biológicos, como propensão à hipertensão, taxas de colesterol alto e comportamento sedentário.
Errada, porque reduz a saúde a fatores individuais e biológicos, ignorando os determinantes sociais e o contexto de vida.
- B)fatores contextuais que impactam no cotidiano deste indivíduo, como acesso à educação, saúde, transporte público e equipamentos públicos de lazer.
Certa, porque inclui fatores contextuais que influenciam diretamente a saúde e a qualidade de vida do indivíduo.
- C)fatores motivacionais, tais como a adesão ou não à prática de exercício físico por opção exclusiva do indivíduo.
Errada, porque trata a adesão ao exercício como decisão exclusiva do indivíduo, sem considerar barreiras sociais e estruturais.
- D)fatores comportamentais, tais como a ruptura como o comportamento sedentário, já que basta o indivíduo querer para se exercitar.
Errada, porque reforça a ideia de que basta querer para mudar o comportamento, desconsiderando limitações concretas do cotidiano.
- E)fatores econômicos, já que todos têm acesso a uma academia de musculação e podem praticar exercício.
Errada, porque pressupõe acesso universal a recursos como academia, o que não corresponde à realidade social da maioria.
Gabarito: B
A ideia central da questão é simples: saúde não pode ser vista como uma responsabilidade isolada do indivíduo, como se tudo dependesse apenas de “força de vontade”. Na Educação Física e na Saúde Coletiva, a saúde é entendida de forma mais ampla, ligada também às condições de vida e ao ambiente em que a pessoa vive. Isso significa considerar fatores sociais e contextuais que influenciam o cotidiano, como acesso à educação, serviços de saúde, transporte público, lazer, moradia, segurança e oportunidades reais de movimento. Em outras palavras, não basta olhar só para o corpo da pessoa e seu comportamento; é preciso olhar para o cenário em que ela está inserida. Por isso, o gabarito é a letra B. Ela acerta ao reconhecer que a saúde depende também de determinantes sociais, isto é, de condições externas que facilitam ou dificultam escolhas saudáveis. Essa visão dialoga com a noção ampliada de saúde presente na Saúde Coletiva e com a própria lógica da Organização Mundial da Saúde, que entende saúde como bem-estar físico, mental e social, e não apenas ausência de doença. As demais alternativas caem na armadilha do individualismo: colocam tudo na conta da pessoa, como se contexto, desigualdade e acesso não importassem. Na prática, isso simplifica demais um problema que é bem mais complexo.