A década de 1980 demarcou uma ruptura com as concepções de Educação Física. A ideia de que a disciplina, no contexto escolar, objetivava a formação de atletas para a prática esportiva passou a ser intensamente criticada. Nesse contexto, a abordam crítico-superadora estabeleceu a relevância social da Educação Física a partir do trabalho focado na
- A)transcendência de limites no movimento.
Errada, porque "transcendência de limites no movimento" remete mais a uma visão de desenvolvimento motor ou de superação individual, não ao eixo teórico da abordagem crítico-superadora.
- B)aprendizagem motora.
Errada, porque aprendizagem motora é um recorte mais biomecânico e técnico, voltado ao aprender habilidades, e não ao debate crítico-social da Educação Física escolar.
- C)psicomotricidade.
Errada, porque psicomotricidade é outra abordagem, mais centrada na relação entre corpo, movimento e aspectos cognitivos, sem ser o fundamento central da crítico-superadora.
- D)cultura da performance humana.
Errada, porque "cultura da performance humana" reforça lógica de rendimento e produtividade corporal, justamente o tipo de visão criticada no enunciado.
- E)cultura corporal.
Certa, porque a abordagem crítico-superadora toma a cultura corporal como objeto de ensino da Educação Física, valorizando as práticas corporais como produções históricas e sociais.
Gabarito: E
Na década de 1980, a Educação Física escolar começou a ser questionada por uma visão muito estreita: a de que a aula servia basicamente para treinar talentos, selecionar os mais aptos e preparar futuros atletas. Essa crítica abriu espaço para uma proposta mais ampla, ligada às discussões pedagógicas críticas da época. A abordagem crítico-superadora, associada ao Coletivo de Autores e à obra "Metodologia do Ensino de Educação Física", defende que a Educação Física na escola não deve se limitar ao rendimento esportivo. Ela precisa tratar os conteúdos como produções históricas da humanidade, valorizando sua função educativa e social. Por isso, o foco do trabalho pedagógico passa a ser a cultura corporal, isto é, o conjunto de práticas corporais construídas socialmente: jogos, esportes, danças, lutas, ginásticas e brincadeiras. A ideia não é só fazer o aluno se mexer, mas ajudá-lo a compreender, vivenciar e refletir criticamente sobre essas práticas. É exatamente aí que o gabarito E faz sentido. Se a proposta é superar a lógica do atleta e dar à Educação Física um papel formativo mais amplo, o centro do conteúdo não pode ser o desempenho, nem a técnica pela técnica, mas a cultura corporal. Em resumo: a disciplina deixa de ser "treino de quadra" e vira conhecimento sobre o movimento humano na vida social.