Patreze, Silva e Uvinha (2019) discutem sobre os Jogos Olímpicos de 2016 – realizados no Brasil/ Rio de Janeiro – e o legado esportivo deixado pelo evento para a cidade e para o país. Em resumo, os autores destacaram uma certa lacuna quanto à produção de políticas públicas para o esporte realmente sólidas após a finalização do evento. Sobre o debate dos megaeventos e políticas públicas para o esporte, o profissional de Educação Física deve
- A)dialogar sobre o tema sem gerar reflexão, já que a ausência de legado esportivo é positiva para o país.
Errada, porque negar reflexão e ainda afirmar que a ausência de legado esportivo é positiva contraria a análise crítica esperada na área.
- B)refletir sobre o tema, mas não levar o debate aos seus alunos, já que isto constituiria ideologia.
Errada, pois o debate com os alunos faz parte da formação crítica em Educação Física e não se limita a 'ideologia'.
- C)deixar a discussão para a mídia esportiva, uma vez que o profissional de Educação Física tem a principal função de incentivar o exercício físico e a saúde.
Errada, porque o professor de Educação Física não deve terceirizar o debate sobre esporte e eventos esportivos para a mídia.
- D)debater com seus alunos sobre o tema, já que o exercício físico preconiza apenas sua dimensão motora e biodinâmica.
Errada, pois reduz o exercício físico à dimensão motora e biodinâmica, ignorando seus aspectos culturais, sociais e políticos.
- E)debater com seus alunos sobre o tema, uma vez que as práticas corporais não se resumem apenas ao gesto motor.
Certa, porque as práticas corporais vão além do gesto motor e permitem discutir esporte, mídia, políticas públicas e legado social.
Gabarito: E
A questão trabalha uma ideia central da Educação Física contemporânea: práticas corporais não são só movimento por movimento. Elas também envolvem cultura, valores, cidadania, mídia, consumo, inclusão e debate sobre políticas públicas. Por isso, falar de megaeventos como Olimpíadas vai muito além da festa esportiva: é discutir o que fica de legado, quem é beneficiado, quem é excluído e se houve investimento real e duradouro no esporte para a população. No caso dos Jogos Olímpicos do Rio 2016, os autores citados destacam justamente uma lacuna na construção de políticas públicas esportivas sólidas após o evento. Isso dialoga com uma visão crítica da Educação Física, na qual o professor não deve reduzir o conteúdo ao gesto técnico ou à aptidão física. Ele também forma sujeitos capazes de ler o esporte como fenômeno social. É por isso que o gabarito é a letra E. O profissional de Educação Física deve debater o tema com seus alunos, porque as práticas corporais não se resumem ao aspecto motor. Elas têm dimensão histórica, cultural e política. Esse entendimento aparece em documentos como a BNCC e nas Diretrizes Curriculares da área, que valorizam a abordagem crítica e ampliada das manifestações da cultura corporal. Em resumo: se o megaevento gerou discussão pública, legado e investimento, isso entra sim no campo de atuação pedagógica do professor. Ignorar esse debate seria tratar o esporte como se fosse só suor e cronômetro, quando ele é bem mais que isso.