“O Mestre Gichin Funakoshi, criador do estilo Shotokan de Karatê, desenvolveu e aperfeiçoou consideravelmente o aspecto filosófico desta prática milenar, dando ênfase aos aspectos psicológicos, fazendo com que o praticante melhore sua concentração e adquira um maior controle de suas emoções através do treinamento diário. O praticante de Karatê deve manter a mente distante do egoísmo e da maldade, buscando a pureza de pensamentos; porém, deve sempre estar alerta para reagir adequadamente a tudo que encontrar pela frente.” Considerando o trecho anterior, NÃO se configura como um “lema” do Karatê:
- A)Respeito acima de tudo
Correta, pois respeitar acima de tudo combina com a base ética e disciplinar do Karatê.
- B)Valer-se do espírito de agressão.
Errada, porque o Karatê repudia a agressividade como princípio, valorizando autocontrole e não violência.
- C)Esforçar-se para a formação do caráter.
Correta, pois a formação do caráter é um dos pilares clássicos da filosofia do Karatê.
- D)Fidelidade para com o verdadeiro caminho da razão.
Correta, pois a fidelidade ao verdadeiro caminho da razão traduz bem a dimensão moral da prática.
Gabarito: B
A questão trata dos lemas do Karatê, especialmente os ligados ao Dojo Kun, que são princípios éticos e de disciplina transmitidos no treinamento. Eles não existem para incentivar briga, e sim para formar caráter, autocontrole, respeito e uso responsável da técnica. É por isso que o Karatê, na visão de Funakoshi e da tradição do estilo Shotokan, vai muito além do golpe: ele trabalha mente, conduta e postura. Na prática, esses lemas costumam reforçar ideias como respeito, esforço para a formação do caráter, fidelidade ao caminho correto e domínio de si. A lógica é simples: o praticante deve evoluir sem alimentar egoísmo, violência ou impulsos agressivos. Se o treino aumenta a técnica, também precisa aumentar a maturidade. A alternativa B está errada porque contraria totalmente esse espírito. "Valer-se do espírito de agressão" representa justamente o oposto da filosofia do Karatê, que busca conter a agressividade, e não alimentá-la. Em termos doutrinários, isso fere o sentido ético tradicional da arte marcial, especialmente no ensino de Funakoshi, que valorizava o desenvolvimento moral acima da força bruta. Então, quando a banca traz palavras bonitas e uma opção que parece "forte", desconfie: no Karatê, força sem disciplina não é lema, é desvio de caminho.