O movimento sanitarista, em 1986, que ocorreu na Conferência Nacional de Saúde, trouxe a ampliação da participação da população e do conceito de saúde, que passou a ser considerado como: a resultante das condições de alimentação, habitação, educação, renda, meio ambiente, trabalho, transporte, emprego, lazer, liberdade, acesso aos serviços de saúde. Na educação física, as preocupações no campo da saúde estão ligadas a diversos fatores, que alguns autores chamam de uma melhoria da “qualidade de vida” do indivíduo. (MELO et al., 2005; MONTEIRO; Sobral Filho, 2004; CIOLAC; Guimarães, 2004. Adaptado.) Entre as diversas possibilidades, NÃO se trata de campo de atuação do Educador Físico:
- A)Responsabilizar o indivíduo pela sua saúde, sem conscientizá-lo nas práticas de atividades físicas coletivas ou individuais.
Errada, porque transfere integralmente ao indivíduo a responsabilidade pela saúde e ignora o papel educativo e conscientizador da Educação Física.
- B)Conscientizar sobre as práticas corporais junto ao termo de atividades físicas, dando uma ampliação do conceito além do gasto calórico.
Certa em sua ideia geral, pois amplia o conceito de saúde ao valorizar práticas corporais para além do simples gasto calórico.
- C)Considerar a prática de atividades físicas, exercícios, esporte e lazer como soluções, não somente para o tratamento de patologias, mas também como alternativas favoráveis à melhoria das condições de saúde.
Certa, porque reconhece atividade física, esporte e lazer como meios de promoção e recuperação da saúde, não só como tratamento de doenças.
- D)Evidenciar o exercício físico e estilo de vida ativo, enfatizando, assim, a necessidade de “ativar a vida” na rotina diária, bem como a inclusão do gasto energético como balizador universal da atividade física voltada para a saúde.
Certa, pois valoriza o estilo de vida ativo e o gasto energético como referência, dentro de uma lógica de promoção da saúde.
Gabarito: A
A questão gira em torno da visão ampliada de saúde que ganhou força com o movimento sanitarista e com a Reforma Sanitária, especialmente a partir da 8ª Conferência Nacional de Saúde, em 1986. Nessa lógica, saúde não é só ausência de doença nem resultado de “fazer exercício” por fazer, mas depende de fatores sociais, ambientais e de estilo de vida. Na Educação Física escolar, isso puxa o profissional para uma atuação educativa, crítica e de promoção da saúde, e não para um discurso de culpa individual. É exatamente aí que a alternativa A erra: ela coloca todo o peso da saúde no indivíduo e ainda afasta a conscientização sobre práticas corporais coletivas ou individuais. Isso contraria a ideia moderna de promoção da saúde, que valoriza informação, autonomia, participação e contexto social. Em outras palavras, não basta dizer “movimente-se”; é preciso orientar, problematizar e incluir. As demais alternativas caminham na direção correta, porque associam atividade física, exercício, esporte, lazer e estilo de vida ativo à melhoria da qualidade de vida e à ampliação do conceito de saúde. Essa é uma abordagem muito cobrada em Educação Física escolar: menos moralismo, mais educação para a saúde. Então, o gabarito é A porque ela expressa uma postura reducionista e culpabilizadora, incompatível com o papel do educador físico na escola e com a concepção ampliada de saúde consolidada no campo da saúde coletiva.