O jogo é um fenômeno antropológico a ser considerado no estudo do ser humano. É uma constante em todas as civilizações; esteve sempre unido à cultura dos povos, àsua história, ao mágico, ao sagrado, ao amor, à arte, à língua, à literatura, aos costumes, à guerra. O jogo serviu de vínculo entre povos; é um facilitador da comunicação entre seres humanos. É caracterizado como um fenômeno antropológico e social, porrefletir em cada sociedadeos costumes e a história das diferenças culturais, bem como as influências do contexto no qual diferentes grupos de crianças brincam. Ao longo da história, o jogo assumiu diversos papéis até que, após o século XVI, surgiuuma nova proposta educacional, na qual se estabeleceu uma relação entre o jogo e a educação. Tal relação foi marcada por três principais pontos de vista ao longo das transformações da sociedade. NÃO corresponde a um destes pontos de vista:
- A)O jogo como formador da personalidade.
Errada: 'formador da personalidade' não integra os três pontos de vista clássicos citados sobre a relação entre jogo e educação.
- B)O jogo como recreação – ponto de vista aristotélico.
Certa no conteúdo histórico: o jogo como recreação é uma das leituras tradicionais atribuídas ao pensamento aristotélico.
- C)O jogo como dispositivo pedagógico, no qual o interesse que a criança manifesta pelo jogo deve ser utilizado para ensinar.
Certa: o jogo pode ser usado como dispositivo pedagógico, aproveitando o interesse da criança para ensinar.
- D)O jogo como uma atividade que permite ao professor observar e compreender a personalidade da criança e adaptá-lo ao ensino.
Certa: o jogo também permite ao professor observar a criança e ajustar o ensino ao seu desenvolvimento.
Gabarito: A
A questão trata da relação entre jogo e educação, que ganhou força a partir do século XVI, quando o jogo deixou de ser visto só como passatempo e passou a ser usado também como recurso educativo. Nessa linha, a doutrina costuma destacar alguns pontos de vista sobre o papel do jogo na formação escolar: como recreação, como instrumento pedagógico e como meio de observação da criança pelo professor. Ou seja, o jogo pode ajudar a ensinar, a revelar aspectos do desenvolvimento e a tornar a aprendizagem mais significativa. O ponto central aqui é que o jogo não é tradicionalmente tratado, nesse recorte histórico, como "formador da personalidade". Essa formulação até pode parecer bonita e até faz sentido em uma leitura mais ampla da Educação Física e da Psicologia, mas não corresponde aos três pontos de vista clássicos cobrados no enunciado. Por isso, a alternativa A é o gabarito. A banca CONSULPLAN gosta de misturar conceitos próximos, então vale pensar assim: uma coisa é usar o jogo para educar; outra é dizer que ele serve para formar a personalidade como categoria central dessa classificação. Na prática, o jogo é visto como ferramenta, linguagem e observação, não como esse rótulo específico. Em termos doutrinários, essa discussão aparece muito em autores da área da ludicidade e da pedagogia do jogo, que mostram a passagem do jogo de atividade livre para recurso educativo. Em provas, o que importa é reconhecer quais classificações são clássicas e quais são formulações genéricas demais.