O esporte, enquanto fenômeno social, reflete as relações sociais estabelecidas na sociedade. Embora este possa parecer um campo onde o negro consegue se incluir e ter uma ascensão social através de um olhar mais cuidadoso, pode-se perceber o preconceito contra a pessoa negra, que enfrenta no campo esportivo as mesmas discriminações sofridas na sociedade. Analisando o preconceito e o racismo presentes nas práticas esportivas, assinale a afirmativa INCORRETA.
- A)O esporte como um ambiente social reproduz as diferenças e as desigualdades da sociedade. As elites mantêm, também através do esporte, seus padrões de discriminação social e preconceito racial. A exclusão fica evidente em algumas modalidades esportivas que são praticadas quase que exclusivamente por brancos, embora a maior parte da população brasileira seja negra ou parda.
Está correta, porque o esporte também reproduz as desigualdades sociais e raciais existentes na sociedade.
- B)Apesar de muitos atletas negros se destacarem nos esportes olímpicos, estes excluem a cultura africana. A grande parte dos esportes disputados nas olimpíadas é de origem europeia. Nenhuma das modalidades esportivas disputadas nos Jogos Olímpicos teve sua origem no continente africano e, desde que se iniciaram as Olimpíadas Modernas, em 1896, nenhum dos Jogos Olímpicos teve como sede uma cidade africana.
Está correta, pois destaca a predominância de origens europeias em muitas modalidades olímpicas e a ausência histórica de sede africana nos Jogos Olímpicos modernos.
- C)Apesar de o negro ganhar destaque através do esporte, o fato de a população negra não conseguir se inserir em todo o ambiente esportivo, ficando restrita em algumas modalidades, acaba reforçando os estereótipos biologizantes. Alguns estudiosos defendem a ideia de que a genética do negro é a base para o alto rendimento em algumas modalidades, pois sua estrutura óssea, seu sistema muscular, seu metabolismo, seriam diferentes se comparados aos atletas brancos.
Está correta, porque critica os estereótipos biologizantes que tentam explicar desempenho esportivo por supostas diferenças naturais entre negros e brancos.
- D)Analisando a história da população negra no esporte brasileiro, podemos perceber que ela conseguiu se inserir e ter uma boa representatividade em alguns esportes. Uma pequena parte dos negros consegue, através do esporte, alcançar uma ascensão social. Mas, embora o desempenho dos negros seja reconhecido em certos esportes, ele ficou restrito somente a algumas modalidades, devido à falta de recursos financeiros, que atenua a diferença social e o preconceito racial.
Está errada, porque a falta de recursos não atenua a diferença social nem o preconceito racial; ao contrário, tende a reforçá-los e não explica a exclusão de forma adequada.
Gabarito: D
O esporte não acontece no vazio: ele reflete a sociedade, com suas regras, seus valores e, infelizmente, seus preconceitos também. Por isso, quando falamos de população negra no esporte, não basta olhar apenas para os atletas de destaque. É preciso perceber como o acesso, a visibilidade e a valorização variam conforme a modalidade, reproduzindo desigualdades históricas. A ideia central da questão é que o racismo no esporte pode aparecer de forma direta ou disfarçada, por meio de estereótipos, exclusões e da associação do desempenho físico a uma suposta diferença biológica entre raças. Esse tipo de visão biologizante é criticado pela Educação Física crítica, porque transforma desigualdade social em “explicação natural”, o que não se sustenta. O gabarito é a letra D porque ela erra ao dizer que a restrição dos negros a algumas modalidades ocorre “devido à falta de recursos financeiros, que atenua a diferença social e o preconceito racial”. Na prática, a falta de recursos não atenua, mas aprofunda a desigualdade e o preconceito. Além disso, a ascensão social de alguns atletas não elimina o racismo estrutural nem garante inserção igualitária em todo o universo esportivo. Como referência geral, essa leitura combina com a noção de racismo estrutural, muito usada nas ciências sociais e na Educação Física escolar: as desigualdades não são acidente, mas parte da organização social. Então, quando a questão tenta “enfeitar” a exclusão como se ela diminuísse com a pobreza, ela tropeça feio.