Acerca dos aspectos que envolvem a competição e a cooperação nas práticas corporais no cenário escolar segundo uma perspectiva crítica de educação física escolar, assinale a opção correta.
- A)Na escola, a competição se circunscreve ao âmbito do esporte de rendimento e à cooperação nas aulas do componente curricular de educação física.
Errada, porque a competição não se limita ao esporte de rendimento e a cooperação não fica restrita às aulas de educação física, já que ambas podem aparecer em várias práticas corporais e contextos sociais.
- B)Os jogos cooperativos colaboram na identificação e seleção dos talentos esportivos na escola a fim de promover o desenvolvimento do esporte escolar.
Errada, porque jogos cooperativos não servem para selecionar talentos esportivos, e sim para valorizar participação, interação e resolução conjunta de problemas.
- C)A competição deve ser suprimida das práticas pedagógicas esportivas da educação física escolar porque reproduzem os princípios de uma sociedade egoísta.
Errada, porque a competição não precisa ser suprimida; ela deve ser problematizada e trabalhada pedagogicamente, sem ser tratada como algo automaticamente nocivo.
- D)Na educação física escolar, é necessário problematizar as contradições presentes na relação entre competição e cooperação, sobretudo nas práticas esportivas.
Certa, porque a educação física escolar crítica deve analisar as contradições entre competição e cooperação, especialmente no esporte, em vez de simplificar essa relação.
- E)As práticas pedagógicas da educação física escolar favorecem a distinção de gênero na medida em que propõem a competição para os meninos e a cooperação para as meninas.
Errada, porque a educação física escolar não deve reforçar estereótipos de gênero, mas sim questioná-los e oferecer oportunidades iguais de participação e aprendizagem.
Gabarito: D
Na educação física escolar com olhar crítico, competição e cooperação não são inimigas automáticas nem receitas prontas. O ponto é entender que as práticas corporais carregam sentidos sociais: podem ensinar disputa, parceria, respeito, inclusão, estratégia e até exclusão, dependendo de como são organizadas pelo professor. Por isso, a aula não deve tratar a competição como vilã absoluta, nem a cooperação como solução mágica. A ideia central é problematizar essas relações. Em vez de separar o mundo em "competir ou cooperar", a escola precisa analisar as contradições presentes nas práticas esportivas e nos jogos, mostrando como a competição pode existir sem virar humilhação, e como a cooperação também pode aparecer dentro de atividades competitivas. Isso está alinhado com uma perspectiva crítica da educação física escolar, que busca formar sujeitos capazes de compreender e refletir sobre a cultura corporal, e não apenas repetir regras e resultados. O gabarito é a letra D porque ela expressa exatamente essa postura pedagógica: discutir as tensões entre competição e cooperação, sobretudo nas práticas esportivas. Ou seja, o professor não fecha os olhos para a competição, mas também não a trata como algo neutro. Ele usa a aula para ampliar a leitura do aluno sobre o esporte e sobre as relações sociais que ele produz. Em termos práticos, isso aparece quando você adapta regras, valoriza diferentes papéis no jogo, observa como os estudantes interagem e debate temas como exclusão, meritocracia, gênero e colaboração. A aula fica mais inteligente e menos "campeonato de recreio".