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Educação Física · CESPE/CEBRASPE · 2021

Questão comentada de Educação Física

O movimento, o simples movimento corporal, aquele que se vê nos atos, ainda não revela o homem. O que está faltando, numa concepção de educação física que privilegie, acima de tudo, o humano, é ver além do percebido (...). É ver no rumo do movimento, sempre na direção de buscar, no mundo, as partes que faltam ao homem para ser humano. Portanto, uma educação física humanista não poderia viver sob qualquer miopia em relação ao gesto corporal. Não há por que desenvolver habilidades (correr, saltar, girar, etc.) que não sejam significativas, isto é, que não sejam uma promoção de relações aperfeiçoadas do sujeito com o mundo, de modo a produzir as ações que o tornem cada vez mais humano, isto é, mais presente, mais consciente, testemunha do mundo em que vive. João Batista Freire. Educação de corpo inteiro. São Paulo: Scipione, 1997. (com adaptações). Acerca do conhecimento e da função pedagógica do jogo nas aulas de educação física, assinale a opção correta.

Gabarito: C

Na educação física escolar, o jogo não deve ser visto só como um jeito de “gastar energia” ou treinar técnica. Ele é um conteúdo cultural e pedagógico, então precisa fazer sentido para o aluno, para o contexto da turma e para a formação humana que a escola busca. Em vez de reduzir o jogo a repetir regras e movimentos, a proposta é usá-lo para pensar, criar, cooperar, tomar decisões e compreender o que aquele jogo comunica sobre o mundo. É justamente aí que a alternativa C acerta: para que o jogo tenha função pedagógica, ele precisa ser ressignificado e analisado criticamente. Ressignificar é adaptar, reconstruir ou reinterpretar o jogo para que ele tenha valor educativo real, e não vire só execução automática. O olhar crítico ajuda o professor a perceber se aquele jogo exclui, machuca, separa por gênero, valoriza só os mais fortes ou reproduz desigualdades. Isso conversa muito com a ideia de João Batista Freire: não basta olhar o gesto corporal por fora, é preciso enxergar o sentido humano do movimento. Nas abordagens críticas da educação física escolar, o jogo aparece como meio para ampliar a leitura de mundo, e não como um fim em si mesmo. Ele pode ajudar no desenvolvimento motor, claro, mas isso é consequência parcial. O principal é que o aluno participe com consciência, diálogo e autoria, entendendo o jogo como prática social, e não como uma sequência de ordens sem cérebro e sem conversa. Por isso, a banca cobra essa visão mais crítica e pedagógica: a função do jogo não está em disciplinar obedientemente nem em automatizar gestos esportivos. Está em produzir aprendizagem significativa, reflexão e participação ativa. Em resumo: jogo na escola não é só brincar por brincar, nem treinar por treinar; é aprender com sentido.

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