O Plano Real dividiu o ataque ao processo inflacionário nas seguintes três etapas:
- A)ajuste fiscal, indexação completa da economia e reforma monetária.
Correta: resume as três etapas do Plano Real como ajuste fiscal, indexação transitória/referenciação da economia e reforma monetária.
- B)criação da URV, transformação da URV em reais (R$) e âncora cambial.
Errada: URV e conversão para real foram etapas do plano, mas a âncora cambial não descreve as três fases do ataque inflacionário.
- C)implementação do PAI, criação do IPMF e substituição do cruzado pelo real.
Errada: PAI, IPMF e substituição do cruzado pelo real não correspondem à arquitetura do Plano Real.
- D)minibandas cambiais, acúmulo de reservas internacionais e criação da URV.
Errada: minibandas cambiais e reservas fazem parte da estabilização cambial, mas não das três etapas clássicas do plano.
- E)âncoras fiscal, monetária e cambial.
Errada: âncoras fiscal, monetária e cambial são instrumentos de política econômica, não a divisão histórica das três etapas do Plano Real.
Gabarito: A
O Plano Real foi pensado como um pacote em etapas para quebrar a inflação inercial, aquela que vai se alimentando de reajustes automáticos e não some só com “boa vontade” do governo. A lógica geral era: primeiro organizar a casa, depois criar um padrão de referência estável e, por fim, trocar o regime monetário de forma que a nova moeda nascesse já com credibilidade. Na prática, a estratégia do Plano Real passou por ajuste fiscal, um período de transição com forte indexação na URV para servir de unidade de conta estável, e a reforma monetária que culminou na introdução do real. Esse desenho aparece na literatura de política econômica do período e é o que a banca costuma cobrar quando fala das etapas do combate à inflação. Por isso, o gabarito é a letra A. Ela é a que melhor reproduz a lógica dos três momentos do Plano Real: arrumar as contas públicas, organizar a transição por meio de um mecanismo de indexação/referência e fazer a mudança monetária final. A ideia central é que a desinflação não foi um “estalo mágico”, mas uma engenharia bem amarrada. Já a âncora cambial entrou depois como instrumento de estabilização e credibilidade, não como a descrição das três etapas originais do ataque inflacionário. Em prova, a FGV gosta exatamente disso: misturar fase de implementação com instrumento de estabilização para ver se você escorrega na casca de banana.