Em relação às medidas adotadas no país para enfrentamento da crise financeira global de 2008/2009, ou os impactos dessa crise sobre a economia nacional, assinale (V) para a afirmativa correta e (F) para a falsa. ( ) Houve redução das reservas bancárias e da taxa de juros pelo BACEN. ( ) Como a situação fiscal era favorável, adotou-se política fiscal expansionista, incluindo redução do IPI de automóveis, linha branca, materiais de construção, dentre outros. ( ) A posição externa favorável, com nível elevado de reservas e posição líquida credora, fez com que o impacto da desvalorização cambial sobre as finanças públicas fosse atenuado. As afirmativas são, respectivamente,
- A)V, V e V.
Correta, porque as três afirmativas refletem medidas anticíclicas e a menor vulnerabilidade externa do Brasil em 2008/2009.
- B)V, V e F.
Errada, porque a terceira afirmativa também é verdadeira, já que a posição externa favorável reduziu os efeitos da desvalorização cambial sobre as finanças públicas.
- C)V, F e V.
Errada, porque a segunda afirmativa não é falsa: houve sim política fiscal expansionista com redução de tributos para estimular a demanda.
- D)F, V e V.
Errada, porque a primeira afirmativa é verdadeira: o BACEN reduziu juros e também adotou medidas para ampliar a liquidez bancária.
- E)F, F e F.
Errada, porque as três afirmativas são verdadeiras e descrevem corretamente a reação brasileira à crise.
Gabarito: A
A crise de 2008/2009 bateu na economia brasileira, mas o país tinha alguns “amortecedores” importantes. O Banco Central reagiu com afrouxamento monetário: reduziu a taxa Selic e também diminuiu exigências sobre reservas bancárias, liberando liquidez para o sistema financeiro não travar. Em termos simples, foi a lógica de evitar que o crédito secasse justamente quando a economia mais precisava respirar. No lado fiscal, o governo também entrou em modo anticrise. Como a situação das contas públicas era relativamente favorável naquele momento, foi possível adotar medidas expansionistas, como a redução do IPI para automóveis, linha branca e materiais de construção. A ideia era estimular consumo e produção sem colocar, de imediato, a credibilidade fiscal em colapso. O terceiro item também está correto: o Brasil tinha posição externa mais confortável, com reservas internacionais elevadas e posição líquida credora. Isso ajudou a diminuir o estrago de uma desvalorização cambial sobre as finanças públicas, porque o setor público estava menos exposto a passivos em moeda estrangeira e ainda contava com reservas para dar suporte ao mercado. Em crises assim, ter “cofre cheio” no exterior faz diferença. Por isso o gabarito é A: as três afirmativas são verdadeiras. A FGV costuma cobrar esse período conectando política monetária, política fiscal e vulnerabilidade externa, então a leitura certa é sempre enxergar o pacote completo de resposta anticíclica, e não apenas um pedaço isolado da crise.