O período da industrialização por substituição de importações, ocorrido na década de 1930, foi caracterizado por
- A)uma industrialização aberta, voltada para exportações a fim de atender à demanda do mercado externo.
Errada, porque a substituição de importações ocorreu em ambiente mais fechado e voltado ao mercado interno, não em industrialização aberta para exportar.
- B)um estrangulamento externo, com queda do valor das importações, gerando escassez de divisas.
Certa, porque a crise externa reduziu as importações e as divisas, criando escassez e estimulando a produção doméstica.
- C)um intervencionismo do governo para proteger a indústria nacional, elevando a competitividade e rentabilidade da produção doméstica.
Errada, porque o intervencionismo estatal existiu, mas a formulação exagera ao ligar isso diretamente a aumento de competitividade e rentabilidade como traço definidor da década de 1930.
- D)um investimento privado crescente nos setores que não são substituidores de importação, reduzindo a demanda agregada doméstica.
Errada, porque a lógica do período foi fortalecer setores substitutivos de importações, e não deslocar o investimento para setores que dependessem menos disso.
- E)uma industrialização por etapas, guiada pela pauta de exportações, que definiria os setores que seriam alvo de investimentos.
Errada, porque a industrialização por substituição de importações não foi guiada prioritariamente pela pauta exportadora, mas pelas restrições do comércio externo e pela demanda interna.
Gabarito: B
A industrialização por substituição de importações, que ganha força nos anos 1930, nasceu num contexto de crise externa e mudança do papel do Estado na economia. A ideia central era simples: como importar ficou mais difícil e caro, o país passou a produzir internamente aquilo que antes vinha de fora. Isso deu impulso à indústria nacional, especialmente em setores antes dependentes do mercado externo. Nesse cenário, o termo-chave é estrangulamento externo. Com a crise de 1929 e a queda das exportações, o Brasil recebeu menos divisas, isto é, menos moeda forte para pagar importações. Ao mesmo tempo, a demanda interna continuava existindo, então a escassez de importados abriu espaço para a produção doméstica. É o famoso empurrão da necessidade, não exatamente um plano elegante de laboratório. Por isso o gabarito B está correto: houve queda do valor das importações e escassez de divisas, o que dificultou a compra de bens no exterior e estimulou a produção local. Esse é um traço clássico do modelo de substituição de importações, muito estudado na CEPAL, com destaque para a análise de Celso Furtado sobre a industrialização brasileira sob restrição externa. Já as alternativas que falam em abertura comercial, foco em exportações ou investimento privado guiado pela pauta exportadora apontam para uma lógica oposta àquela dos anos 1930. Aqui, a indústria cresceu mais protegida, em um ambiente de intervenção estatal e fechamento relativo da economia. Em prova, sempre desconfie quando a banca mistura substituição de importações com competitividade externa, porque uma coisa costuma excluir a outra no período.