Entre as principais medidas do Plano Cruzado, não é possível mencionar
- A)o gatilho salarial, que seria acionado toda vez que a inflação atingisse 20%.
Certa: o Plano Cruzado instituiu o gatilho salarial, acionado quando a inflação acumulada atingia 20%.
- B)o congelamento dos preços, com exceção da energia elétrica, que foi reajustada a 20%.
Certa: o plano congelou os preços, e a energia elétrica ficou sujeita a tratamento específico de reajuste, não ao congelamento puro e simples.
- C)a fixação da taxa cambial, sem necessidade de maxidesvalorização, em virtude da folga cambial.
Certa: houve fixação da taxa de câmbio, aproveitando a situação de folga cambial, sem recorrer a maxidesvalorização naquele momento.
- D)a recomposição dos valores médios dos aluguéis por meio de fatores multiplicadores com base em relações média-pico.
Certa: o plano previu a recomposição de aluguéis por fatores multiplicadores com base em relações média-pico.
- E)a definição de metas para a política monetária e fiscal, como forma de conter a inflação.
Errada: a definição de metas para a política monetária e fiscal não foi uma marca do Plano Cruzado, que priorizou o congelamento e outras medidas heterodoxas.
Gabarito: E
O Plano Cruzado, lançado em 1986, foi um clássico pacote heterodoxo contra a inflação alta: congelou preços, mexeu na política salarial e tentou quebrar a chamada “inércia inflacionária” na marra. A lógica era simples na teoria e barulhenta na prática: se os preços param de subir, a economia pega no tranco e a memória inflacionária perde força. Entre os mecanismos mais lembrados estão o congelamento de preços, o gatilho salarial a cada 20% de inflação acumulada e a correção de aluguéis por critérios específicos do próprio plano. Também houve fixação cambial em contexto de folga nas contas externas, sem a necessidade de uma maxidesvalorização naquele momento. O ponto da questão está na alternativa E. O Plano Cruzado não ficou conhecido por estabelecer metas formais para a política monetária e fiscal como eixo central de combate à inflação. Pelo contrário: ele apostou sobretudo no choque heterodoxo de preços e rendas, deixando o ajuste fiscal estrutural em segundo plano. É por isso que a FGV marcou E como a incorreta. Em linguagem de prova: Cruzado é congelamento, gatilho e tabelamento; meta monetária e fiscal é outra conversa, mais associada a programas de estabilização posteriores e a uma visão mais ortodoxa de combate à inflação.