Em relação ao processo de substituição de importações no Brasil, assinale a opção correta.
- A)Os carros nacionais eram verdadeiras “carroças” na década de 1980, e o baixo desenvolvimento tecnológico estava associado ao processo inflacionário do período e não ao protecionismo excessivo.
Errada, porque o baixo dinamismo tecnológico da indústria no período se relacionou também ao protecionismo e à estrutura pouco competitiva, não só à inflação.
- B)No caso das economias centrais, as exportações eram um componente importante e dinâmico da formação da renda nacional, tendo sido uma variável exclusiva no crescimento econômico.
Errada, porque nas economias centrais o crescimento não dependeu de uma variável exclusiva como exportações, mas de vários fatores combinados.
- C)O setor agrícola exportador era suficiente para conferir um dinamismo próprio à atividade interna, o que estimulava o progresso tecnológico.
Errada, porque o setor agrícola exportador brasileiro não era suficiente para gerar, sozinho, dinamismo interno e progresso tecnológico amplo.
- D)O processo substitutivo de importações foi essencial para a promoção da eficiência e da competitividade da indústria nacional.
Errada, porque a substituição de importações ampliou a indústria, mas frequentemente com baixa competição e eficiência limitada.
- E)A Instrução n.º 70 da Superintendência da Moeda e do Crédito (SUMOC) definiu taxas múltiplas de câmbio, leilões cambiais e monopólio cambial do Banco do Brasil para o combate à crise cambial e o estímulo à indústria nacional.
Certa, porque a SUMOC 70 adotou múltiplas taxas de câmbio, leilões cambiais e forte intervenção cambial para conter a crise externa e apoiar a indústria.
Gabarito: E
A substituição de importações foi a estratégia clássica do desenvolvimentismo brasileiro: primeiro, o país reduz a dependência de bens importados; depois, tenta montar aqui dentro o que antes vinha de fora. Isso ajudou a criar indústria, mas também trouxe um lado menos glamouroso: proteção elevada, pouca concorrência e, em vários setores, ganhos de produtividade mais lentos do que o ideal. Ou seja, a indústria cresceu, mas nem sempre ficou automaticamente eficiente ou competitiva. No Brasil, esse modelo ganhou força a partir dos anos 1930, com intervenção estatal, proteção tarifária, controle cambial e incentivo à industrialização. O Estado passou a organizar a economia de forma bem ativa, quase como um maestro segurando a orquestra para não desafinar na crise externa. Esse desenho é típico do período desenvolvimentista e da lógica de industrialização voltada para dentro. É aí que a alternativa E entra. A Instrução SUMOC n.º 70, de 1953, foi um marco cambial: instituiu o regime de taxas múltiplas de câmbio, com leilões de câmbio e forte controle estatal, inclusive com papel central do Banco do Brasil. A ideia era enfrentar a escassez de divisas e, ao mesmo tempo, favorecer a industrialização, porque diferentes tipos de importação recebiam tratamento cambial distinto. Então, o gabarito está correto porque a SUMOC 70 é um exemplo clássico do uso de política cambial para administrar a crise externa e estimular a indústria nacional. Já as demais alternativas distorcem a lógica histórica: o protecionismo não foi irrelevante, exportações não foram a base das economias centrais como motor exclusivo de crescimento, e o setor exportador agrícola brasileiro não bastava para gerar sozinho um dinamismo industrial sustentado.