Após mais de três décadas da publicação das Leis Orgânicas do Sistema Único de Saúde, a mudança no perfil de morbimortalidade tem desafiado a gestão e operacionalização do SUS diante da grande heterogeneidade dos quase seis mil municípios brasileiros. Sobre a transição demográfica e epidemiológica no Brasil, assinale a alternativa INCORRETA.
- A)O conceito de transição epidemiológica é utilizado para descrever e explicar as transformações nos padrões de ocorrência de doenças e causas de morte.
Correta, porque a transição epidemiológica descreve justamente a mudança nos padrões de adoecimento e mortalidade ao longo do tempo.
- B)Os padrões de doenças se modificaram ao longo do tempo, passando de um padrão marcado por enfermidades predominantemente infecciosas para um padrão de maior prevalência de doenças crônicas não transmissíveis.
Correta, pois houve passagem gradual do predomínio de doenças infecciosas para maior peso das doenças crônicas não transmissíveis.
- C)O Brasil convive com distintos padrões de transição epidemiológica, demográfica e de saúde.
Correta, já que o Brasil apresenta transições diferentes conforme região, faixa de renda e condições sociais.
- D)As desigualdades de renda e de acesso a bens essenciais, como moradia, educação, saneamento e acesso aos serviços de saúde, têm relação com os padrões de saúde de uma população.
Correta, porque determinantes sociais como renda, moradia, saneamento e acesso aos serviços influenciam diretamente o perfil de saúde.
- E)As regiões do país apresentam padrões de saúde homogêneos que se aproximam dos padrões países desenvolvidos.
Errada, porque os padrões de saúde no Brasil são heterogêneos e marcados por fortes desigualdades regionais e sociais.
Gabarito: E
A transição demográfica e epidemiológica ajuda a entender por que o perfil de adoecimento de uma população muda ao longo do tempo. Em linhas gerais, com a queda da mortalidade infantil, o aumento da expectativa de vida e a urbanização, saem de cena as doenças infecciosas como principal problema e ganham espaço as doenças crônicas não transmissíveis, como hipertensão, diabetes e câncer. Isso não acontece de forma igual em todo lugar, e o Brasil é um exemplo clássico disso: existem regiões e grupos sociais em ritmos diferentes de transição, convivendo ao mesmo tempo com doenças infecciosas, crônicas e causas externas. Na prática, o SUS precisa lidar com esse cenário misto e desigual, que reflete também renda, escolaridade, saneamento, moradia e acesso a serviços de saúde. A saúde de uma população não depende só de atendimento médico, mas do conjunto das condições de vida. Por isso, as desigualdades sociais aparecem diretamente no padrão de morbimortalidade. A alternativa E é a incorreta porque o Brasil não tem padrões de saúde homogêneos nem se aproxima, de forma uniforme, dos países desenvolvidos. O que existe é uma transição incompleta e desigual, com diferenças marcantes entre regiões, capitais e áreas rurais, além da persistência de doenças associadas à pobreza ao lado de agravos típicos de sociedades mais envelhecidas. Em outras palavras: o país não virou uma sala arrumadinha com todo mundo no mesmo estágio; há várias realidades acontecendo ao mesmo tempo. Esse entendimento é coerente com a literatura de saúde coletiva e com os princípios do SUS, especialmente a ideia de integralidade e de redução das desigualdades em saúde. Então, quando a banca fala em homogeneidade nacional, ela está forçando a barra e simplificando demais a realidade brasileira.