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Direito Sanitário · CESPE/CEBRASPE · 2023

Questão comentada de Direito Sanitário

Um segurado de um plano privado de saúde foi atendido na emergência de um hospital público, tendo o SUS arcado com despesas elevadas relativas a procedimento cirúrgico e internação nesse hospital. Quanto à consequência jurídica do fato ocorrido nessa situação hipotética, assinale a opção correta.

Gabarito: C

Aqui mora uma regra clássica do Direito Sanitário: quando a pessoa tem plano privado de saúde e usa o SUS em atendimento que estava coberto pelo plano, quem deve ressarcir o sistema público é a operadora, não o paciente. Isso decorre do art. 32 da Lei 9.656/1998, que prevê o ressarcimento ao SUS pelos serviços prestados a beneficiários de plano ou seguro privado, nos limites da cobertura contratada. A lógica é simples: o plano privado assumiu o risco daquele atendimento e, se o serviço foi prestado pelo SUS, a operadora deve reembolsar o erário. O paciente não vira devedor do hospital público por ter sido atendido em emergência, nem sai da situação com obrigação de pagar a conta para o SUS. O ponto-chave é perceber que o ressarcimento é dirigido ao plano privado, e não ao segurado. A jurisprudência do STF e do STJ trata esse mecanismo como compatível com o sistema constitucional de saúde e com a organização complementar da assistência privada. Por isso, no caso narrado, o SUS tem direito ao ressarcimento das despesas apenas pelo plano de saúde. Se o procedimento e a internação estavam dentro da cobertura contratada, a operadora é quem responde perante o SUS.

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