Com base na Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa, assinale a opção correta.
- A)O conceito de saúde, no caso do idoso, se constitui mais em função da presença ou ausência de doença orgânica do que pelas circunstâncias de autonomia e independência.
Errada, porque a política afasta a ideia de que saúde no idoso se resume à presença ou ausência de doença, valorizando autonomia e independência.
- B)A formulação de políticas de saúde para o idoso considera, precipuamente, a homogeneidade do grupo em termos etários.
Errada, porque o planejamento das ações considera a heterogeneidade do envelhecimento, e não a homogeneidade etária do grupo.
- C)Em relação ao idoso, o modelo de atenção à saúde é baseado na assistência médica individual.
Errada, porque o modelo de atenção não é centrado só na assistência médica individual, mas em cuidado integral e multiprofissional.
- D)As crenças e os modelos culturais devem ser considerados nos cuidados ao idoso, visando-se garantir a eficiência dos recursos e dos tratamentos disponíveis.
Certa, porque a política orienta considerar crenças e modelos culturais no cuidado ao idoso para aumentar a efetividade dos tratamentos e o bom uso dos recursos.
- E)Por critério etário, é frágil o idoso a partir dos 70 anos de idade.
Errada, porque o critério etário de fragilidade não é fixado em 70 anos; a referência legal costuma ser a partir de 80 anos em contextos de priorização, além de a fragilidade depender de avaliação funcional.
Gabarito: D
A Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa trabalha com uma ideia bem importante: envelhecer não é sinônimo de estar doente. O foco do cuidado não deve ficar preso só à doença orgânica, mas sim à funcionalidade, à autonomia, à independência e à qualidade de vida da pessoa idosa. Em outras palavras, o olhar é mais amplo e menos “apenas médico”. Por isso, a política valoriza a avaliação global do idoso e a organização de uma atenção integral, contínua e humanizada. Também reconhece que cada pessoa envelhece de um jeito, com histórias, hábitos e crenças diferentes. Esse ponto é essencial porque o cuidado em saúde não funciona bem quando ignora o contexto cultural e social do paciente. A alternativa D está correta porque a política determina que as crenças, valores e modelos culturais da pessoa idosa devem ser considerados no cuidado, justamente para melhorar a adesão, a efetividade e o uso adequado dos recursos e tratamentos. Isso conversa com a lógica do SUS e com a atenção integral prevista na Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa, instituída pela Portaria MS nº 2.528/2006. As demais opções tentam empurrar uma visão ultrapassada de envelhecimento, como se o idoso fosse um “pacote padrão”. E a política vai na direção oposta: trata o idoso como sujeito diverso, com necessidades próprias e não apenas como alguém definido pela doença ou pela idade.