Transferências financeiras sem intermediação bancária, a qualquer hora e lugar, de forma completamente virtual, é uma proposta atrativa, Porém, mesmo tendo passado quase duas décadas da criação do blockchain e do bitcoin, ainda há dúvidas a respeito da confiabilidade, transparência segurança das transações com moedas virtuais. As afirmativas a seguir identificam corretamente riscos associados às transações financeiras com moedas virtuais, em função de não serem emitidas nem garantidas por qualquer autoridade monetária, à exceção de uma. Assinale-a
- A)Todo o risco fica com os detentores.
Errada, porque em moedas virtuais o detentor normalmente assume integralmente os riscos do ativo, sem garantia estatal.
- B)Não são lastreadas em ativo real de qualquer espécie.
Errada, pois a ausência de lastro em ativo real é justamente um dos riscos associados às moedas virtuais.
- C)Não tem garantia de conversão para moedas soberanas.
Errada, porque não há garantia de conversão para moeda soberana, o que aumenta a incerteza do titular.
- D)Não podem ser utilizadas para operações de câmbio não autorizadas.
Certa, porque isso não é um risco intrínseco da moeda virtual, mas uma restrição legal sobre operações de câmbio não autorizadas.
- E)Seu valor decorre exclusivamente da confiança conferida pelos indivíduos ao seu emissor.
Errada, pois o valor das moedas virtuais não decorre exclusivamente da confiança no emissor, já que em regra não há emissor central garantidor.
Gabarito: D
Moedas virtuais, como bitcoin, não são emitidas nem garantidas por autoridade monetária. Por isso, quem entra nesse mercado assume mais risco do que num ativo tradicional: o preço pode oscilar muito, não há promessa de conversão para moeda soberana e também não existe lastro estatal por trás. Em resumo, é aquele tipo de ativo em que o investidor precisa olhar o próprio cinto de segurança, porque ninguém vai colocar um paraquedas oficial nele. A alternativa correta é a D porque ela não descreve um risco típico da moeda virtual, mas sim uma limitação jurídica/regulatória. Operações de câmbio seguem as regras do sistema financeiro e não podem ser feitas de forma irregular só porque envolvem ativos virtuais. O Banco Central e a legislação cambial tratam essas operações com as cautelas próprias do mercado regulado. As demais alternativas apontam características que, na prática, aumentam o risco do usuário: ausência de garantia estatal, inexistência de lastro em ativo real, ausência de conversibilidade assegurada e exposição integral ao detentor. Esse é o núcleo da crítica às criptomoedas quando o assunto é segurança e proteção do investidor. Então, para a prova, guarde a lógica: quando não há autoridade emissora nem garantidora, cresce o risco econômico; quando a alternativa fala de vedação a operação cambial não autorizada, ela sai do campo do risco e entra no campo da legalidade/regulação.