No que se refere a comércio exterior, câmbio, tarifas, subsídios e cotas, assinale a opção correta.
- A)A tarifa ad valorem é expressa em quantia de dinheiro por unidade física do produto importado, o que a difere da tarifa específica, que é expressa como uma porcentagem fixa do valor do produto importado.
Errada: inverte os conceitos, porque tarifa ad valorem é percentual sobre o valor do bem e tarifa específica é um valor fixo por unidade física.
- B)Uma vantagem do sistema de câmbio flexível é o isolamento da política monetária dos condicionantes externos; com isso, o equilíbrio do balanço de pagamento dependerá exclusivamente das variações da taxa de câmbio.
Certa: no câmbio flexível, o ajuste externo ocorre pela variação da taxa de câmbio, o que dá maior autonomia à política monetária.
- C)Em país pequeno, a instituição de uma tarifa de importação gera benefícios líquidos para os consumidores e aumenta o ganho dos produtores domésticos e, por corolário, há incremento nas receitas do governo.
Errada: em país pequeno, a tarifa tende a prejudicar consumidores, beneficiar produtores domésticos e gerar receita ao governo, mas não cria benefício líquido geral para os consumidores.
- D)O subsídio é o pagamento aos exportadores, geralmente de certa proporção do valor dos bens exportados, podendo ser específico ou ad valorem, aumentando os preços no país exportador e sendo mais vantajoso economicamente ao país produtor, em relação à tarifa, pois melhora os termos de troca.
Errada: o subsídio pode estimular exportações, mas a frase mistura efeitos e exagera ao afirmar, de forma geral, que ele melhora os termos de troca e seria sempre mais vantajoso que a tarifa.
- E)O sistema de cotas imposto sobre o volume ou o valor das importações é mais vantajoso para governo em relação ao sistema de tarifa, pois a renda passa a ser apropriada na forma de uma receita pública que pode financiar o déficit no balanço de pagamentos.
Errada: a cota não gera, por si, receita pública automática; a renda da cota costuma ficar com quem obtém a licença ou com o importador, não necessariamente com o governo.
Gabarito: B
Em comércio exterior, vale lembrar que câmbio, tarifas, subsídios e cotas são instrumentos que mexem no preço relativo dos bens entre países. A lógica da questão é bem clássica: em regime de câmbio flexível, a taxa de câmbio funciona como “amortecedor” dos choques externos, ajudando a equilibrar o balanço de pagamentos sem exigir intervenção pesada do governo. Por isso, diz-se que há maior autonomia para a política monetária, pois os ajustes externos ocorrem, em grande medida, pela variação cambial. Isso contrasta com o câmbio fixo, no qual o Banco Central precisa gastar reservas ou alterar juros para sustentar a taxa de câmbio. No flexível, a própria oferta e demanda por moeda estrangeira fazem o ajuste. Em linguagem de prova: o câmbio flutua e o desequilíbrio externo tende a ser absorvido pela taxa de câmbio, não por um controle rígido do Estado. A letra B está correta porque resume exatamente essa vantagem do câmbio flexível: isolamento relativo da política monetária frente aos condicionantes externos. A banca gosta dessa ideia em Macroeconomia e Comércio Internacional, especialmente no modelo de Mundell-Fleming, que mostra como o regime cambial altera a eficácia da política econômica. As demais alternativas embaralham conceitos básicos: tarifa ad valorem é percentual sobre o valor, enquanto a específica é valor fixo por unidade; subsídio é apoio interno à produção ou exportação, mas não melhora automaticamente termos de troca; e cotas geram renda de quota, que nem sempre vai para o governo. Em prova CESPE, quando a frase parece “bonita demais”, desconfie: quase sempre tem um conceito trocado no meio.