Considere uma pequena economia aberta com câmbio flutuante, plena mobilidade de capitais e política monetária com controle quantitativo da oferta de moeda. Nessa situação,
- A)a taxa de câmbio é inteiramente determinada pelas condições do mercado monetário.
Errada, porque em câmbio flutuante o preço da moeda também reage ao mercado de bens e aos fluxos de capitais, não apenas ao mercado monetário.
- B)a expansão fiscal é inteiramente neutralizada pela retração das exportações líquidas.
Certa, porque a expansão fiscal tende a apreciar a moeda e reduzir exportações líquidas, neutralizando o impulso inicial sobre a renda.
- C)a expansão monetária é ineficaz em estimular a atividade econômica.
Errada, porque sob câmbio flutuante e mobilidade perfeita de capitais a política monetária é eficaz para estimular a atividade econômica.
- D)a expansão fiscal melhora o saldo do balanço de pagamentos.
Errada, porque a expansão fiscal tende a piorar, e não melhorar, o balanço de pagamentos ao pressionar a apreciação cambial e as importações.
Gabarito: B
Em uma pequena economia aberta, com câmbio flutuante e perfeita mobilidade de capitais, a lógica é bem direta: a taxa de câmbio passa a absorver boa parte dos choques da política econômica. Se o governo faz expansão fiscal, a renda até pode tentar subir no curto prazo, mas isso aumenta a demanda por moeda, pressiona juros e atrai capitais, o que tende a valorizar a moeda doméstica. Com a moeda mais forte, as exportações ficam menos competitivas e as importações ficam mais baratas. É aí que entra o ponto central da questão: a expansão fiscal acaba sendo neutralizada pela queda das exportações líquidas. Em outras palavras, o impulso inicial do gasto público é compensado pela piora do saldo comercial, então o efeito final sobre o nível de atividade pode desaparecer ou ficar muito reduzido. Esse é o resultado clássico do modelo Mundell-Fleming para câmbio flutuante com alta mobilidade de capitais. Já a política monetária, nesse cenário, costuma ser a mais poderosa, porque a expansão monetária tende a desvalorizar a moeda e estimular as exportações líquidas. Por isso, a alternativa que diz que a expansão monetária é ineficaz está invertida. E a ideia de que o câmbio é determinado só pelo mercado monetário também simplifica demais: ele depende do equilíbrio entre mercado de bens, mercado monetário e fluxo internacional de capitais. Portanto, o gabarito é a letra B, porque a expansão fiscal não fica “sozinha no palco”: ela é compensada pela valorização cambial e pela queda das exportações líquidas. Esse raciocínio é o padrão doutrinário do modelo IS-LM-BP/Mundell-Fleming, muito cobrado em economia aberta.