A forte demanda do mercado chinês é um fator que favorece o comércio internacional da América Latina, elevando as exportações na região. A alta da economia chinesa impulsionou o crescimento do produto interno bruto (PIB) em muitos países, inclusive no Brasil. Essa característica marcou as primeiras décadas do século XXI, com a consolidação do mercado de commodities. Contudo, é preciso atentar para o grau de vulnerabilidade externa a que os países estão suscetíveis em suas relações de comércio exterior. Considerando a relação entre China e América Latina descrita no texto precedente, assinale a opção que apresenta um fator que pode implicar aumento da vulnerabilidade externa.
- A)aproximação das relações diplomáticas
Errada, porque a aproximação diplomática tende a facilitar o comércio e a cooperação, e não a aumentar a vulnerabilidade externa por si só.
- B)dependência da exportação de bens primários
Certa, porque depender da exportação de bens primários concentra riscos em poucos produtos e torna o país mais sensível a oscilações de preço e de demanda externa.
- C)alinhamento político-institucional
Errada, porque o alinhamento político-institucional pode até fortalecer relações e reduzir atritos, sem ser um fator típico de aumento de vulnerabilidade externa.
- D)diversificação da exportação de bens primários
Errada, porque diversificar a exportação de bens primários reduz a dependência e ajuda a diminuir a vulnerabilidade externa.
Gabarito: B
Quando a América Latina vende muito para a China, costuma ganhar no curto prazo com o aumento das exportações, da entrada de divisas e do crescimento do PIB. O problema aparece quando essa relação fica concentrada em poucos produtos, especialmente matérias-primas e alimentos, porque o país passa a depender demais da demanda de um único parceiro. Se a China desacelera, muda sua política de compras ou os preços internacionais caem, a economia latino-americana sente o impacto de imediato. Na prática, isso aumenta a vulnerabilidade externa, que é justamente a maior exposição do país a choques vindos de fora, como queda de preços, redução de demanda e piora do saldo comercial. É por isso que a dependência da exportação de bens primários é o fator que mais preocupa na questão: ela deixa a economia “refém” do mercado internacional de commodities, um clássico que a banca gosta de explorar.