É comum que empresas abandonem obras por consequência de orçamentos mal elaborados. Durante o andamento da obra, encontram-se no caminho itens não previsto nos cálculos, interferências não observadas, obrigações que foram despercebidas na leitura dos editais e itens de projeto que não tiveram seus custos incluídos. É de grande responsabilidade do profissional a preparação correta desse orçamento. Assim, desde o início da obra é possível saber os custos e resultados que serão obtidos ao término. Cabe ao engenheiro de custos, ao iniciar o cálculo do orçamento de uma obra ou a elaboração do custo de um projeto em licitação, considerar os seguintes pontos, EXCETO:
- A)Analisar todos os dados disponibilizados como edital, contrato, projeto e especificação técnica.
Correta, porque edital, contrato, projeto e especificações técnicas são bases essenciais para montar um orçamento consistente.
- B)Promover visita técnica ao local dos serviços a fim de tomar ciência das características do local de realização das obras, levantando as dificuldades executivas e de acesso.
Correta, pois a visita técnica pode ser necessária para identificar dificuldades executivas, acessos e características do local que impactam o custo.
- C)No caso de concorrências, identificar junto à Empresa a prioridade de vencer a licitação. Isto é, orçar o custo da obra com precisão máxima adotando BDI mínimo, com adoção de benefício ou lucro desejado.
Errada, porque não se pode tratar a licitação como mera disputa de preço com BDI mínimo sem considerar corretamente o custo real, a estratégia e a formação adequada da proposta.
- D)Num processo de concorrência, é suficiente fazer a média dos custos de execução por metro quadrado. A visita técnica também não é necessária, evitando trabalho e custos dispensáveis caso a licitação não seja vencida.
Errada, porque orçamento de obra pública não pode ser feito só por média de custo por metro quadrado, e a visita técnica pode ser indispensável para evitar erros de cálculo.
Gabarito: D
Em orçamento de obras públicas, o engenheiro de custos não pode trabalhar no modo “chute elegante”. Ele precisa ler edital, contrato, projeto, especificações técnicas e, quando cabível, visitar o local para enxergar interferências, acessos, condições do terreno e demais detalhes que pesam no custo real da obra. A lógica é simples: orçamento sério nasce de informações completas, não de média apressada nem de fórmula mágica. Na licitação, principalmente em obras, o orçamento deve refletir o objeto com o maior grau possível de precisão. Isso evita propostas inexequíveis, aditivos desnecessários e a famosa obra que para no meio do caminho porque alguém esqueceu de colocar um item importante na conta. A Lei 14.133/2021 reforça a necessidade de planejamento, definição adequada do objeto e elaboração de orçamento estimado compatível com o mercado. O gabarito é a letra D porque ela traz uma postura errada e simplificadora demais. Não basta fazer média de custo por metro quadrado, porque cada obra tem peculiaridades próprias, como relevo, fundação, acesso, logística, interferências e obrigações contratuais. Além disso, a visita técnica não é um capricho: quando necessária, ela ajuda a identificar condições locais que alteram o custo e a viabilidade da proposta. Em resumo: orçamento de obra pública exige análise completa e cuidado técnico. Se a empresa ignora documentos, visita o local quando precisa e faz conta “no olho”, o resultado costuma ser exatamente o que o enunciado descreve: obra mal orçada e problema na certa.