Na fase de Planejamento de uma auditoria operacional, o auditor deve estabelecer critérios apropriados, que correspondam aos objetivos e questões de auditoria. Em relação a eles, analise o que se afirma a seguir. I. O critério representa a expectativa razoável e fundamentada do que “deveria ser”, as melhores práticas e benchmarks com os quais o desempenho pode ser comparado. II. Os critérios de auditoria precisam fornecer uma base apropriada e razoável para a avaliação dos objetivos da auditoria e devem ser relevantes, compreensíveis, completos, confiáveis e objetivos no contexto do objeto, dos objetivos e/ou das questões de auditoria. III. Os critérios de auditoria são estabelecidos pela equipe de auditoria e devem ser discutidos com a entidade auditada posteriormente, na fase de execução. Está correto o que se afirma em
- A)I, apenas.
A alternativa sustenta que apenas a afirmativa I está correta, isto é, que o critério de auditoria funciona como parâmetro de comparação entre o desempenho observado e aquilo que deveria ocorrer, inclusive com apoio em boas práticas e benchmarks. Essa ideia está correta, mas é incompleta, porque a afirmativa II também reproduz as exigências técnicas de um bom critério na auditoria operacional, como relevância, objetividade e confiabilidade, conforme a orientação da INTOSAI/ISSAI 3000. Por isso, limitar a resposta à I desconsidera outro enunciado verdadeiro.
- B)I e II, apenas.
A alternativa reúne I e II, que tratam do papel do critério de auditoria e de suas qualidades. A I traduz o critério como o padrão razoável de comparação do desempenho com o que deveria existir, frequentemente extraído de leis, metas, benchmarks e melhores práticas; a II acrescenta que esse padrão precisa ser relevante, compreensível, completo, confiável e objetivo, exatamente como exigem as normas de auditoria operacional da INTOSAI/ISSAI 3000. Como ambas estão alinhadas ao conceito técnico, a combinação indicada é a correta.
- C)I e III, apenas.
A alternativa afirma que as proposições I e III estariam corretas. Embora a I esteja bem formulada, a III erra ao dizer que os critérios são definidos unilateralmente pela equipe e somente discutidos depois, na execução, porque em auditoria operacional eles devem ser construídos e validados na fase de planejamento, com a participação e o alinhamento da entidade auditada sempre que possível. Esse atraso comprometeria a própria utilidade dos critérios como referência para as questões de auditoria.
- D)II e III, apenas.
A alternativa considera corretas as proposições II e III. A II realmente descreve os atributos técnicos dos critérios, mas a III desorganiza a metodologia da auditoria ao postergar a discussão para a execução e ao atribuir a definição exclusivamente à equipe, quando os critérios devem ser estabelecidos e debatidos já no planejamento, para garantir pertinência e aceitação metodológica. Assim, o enunciado mistura uma afirmação verdadeira com outra incompatível com as normas de auditoria operacional.
- E)I, II e III.
A alternativa sustenta que as três afirmativas estão corretas. Isso só seria possível se a III também estivesse de acordo com a disciplina, mas ela contraria a lógica da auditoria operacional ao deslocar para a execução uma discussão que deve ocorrer no planejamento e ao tratar os critérios como produto isolado da equipe, em vez de referência construída e validada para responder aos objetivos da auditoria. Como essa parte é inadequada, não se pode admitir o conjunto integral.
Gabarito: B
Na auditoria operacional, os critérios funcionam como o "régua e compasso" da análise: eles dizem contra o que o desempenho vai ser comparado. Em geral, o critério expressa uma expectativa razoável e bem fundamentada sobre como a coisa deveria ser, podendo vir de boas práticas, referenciais técnicos, metas, normas e benchmarks. Por isso, a afirmação I está correta. A afirmação II também está correta porque o critério não pode ser qualquer opinião solta da equipe. Ele precisa servir de base adequada e razoável para avaliar os objetivos da auditoria e, como a literatura de auditoria operacional costuma exigir, deve ser relevante, compreensível, completo, confiável e objetivo no contexto do objeto auditado. Esse conjunto de qualidades aparece em referenciais como as diretrizes de auditoria operacional do TCU/ISSAI. Já a afirmação III está errada. Os critérios são construídos e avaliados na fase de planejamento, com discussão com a entidade auditada sempre que cabível, e não "posteriormente" na execução como regra geral. Se você deixa isso para depois, a auditoria perde direção e vira passeio sem mapa. Então, o gabarito B está correto porque apenas as assertivas I e II descrevem adequadamente a função e os requisitos dos critérios de auditoria operacional.