Considere a seguinte situação hipotética: o consumo de materiais para determinado exercício financeiro em um órgão público da área de saúde é estimado com base nos percentuais de consumo do exercício anterior, corrigidos pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). O órgão não dispõe de corpo efetivo para acompanhar fisicamente todas as requisições e o consumo total de materiais, por isso não é realizado o controle das liquidações. Apurações físicas são feitas somente quando o órgão recebe denúncias de fraude. Com isso, há o risco de se realizarem pagamentos de bens e serviços que não foram entregues, o que compromete a qualidade do serviço público, além de outras irregularidades. À luz dos conceitos de riscos em auditoria, essa situação ilustrada aponta um risco:
- A)de controle;
Certa: o problema está na fragilidade dos controles internos, que não acompanham nem verificam adequadamente as liquidações e entregas.
- B)de detecção;
Errada: risco de detecção é ligado à falha do auditor em não identificar uma distorção relevante, não à falha dos controles do órgão.
- C)inerente;
Errada: risco inerente é a suscetibilidade natural da atividade ao erro ou fraude, antes de considerar os controles existentes.
- D)operacional;
Errada: risco operacional é um conceito mais amplo de perdas por falhas de processos, pessoas ou sistemas, mas não é a classificação típica pedida em auditoria nesse contexto.
- E)residual.
Errada: risco residual é o risco que sobra depois da resposta aos riscos e dos controles implementados, não o foco principal da situação narrada.
Gabarito: A
Em auditoria, os riscos ajudam a entender onde a coisa pode dar errado antes de a bomba estourar. O risco de controle aparece quando os controles internos do órgão não conseguem prevenir, detectar ou corrigir falhas relevantes a tempo. Em outras palavras: existe um procedimento no papel, mas ele é fraco, incompleto ou nem é executado direito. Na situação da questão, o órgão não acompanha fisicamente todas as requisições, não controla as liquidações e só faz apurações físicas quando aparece denúncia. Isso é um retrato clássico de controle interno insuficiente. Se ninguém confere com regularidade se o bem foi entregue ou se o serviço foi prestado, aumenta a chance de pagar por algo que não aconteceu. Por isso, o risco apontado é o de controle, e não apenas um problema operacional genérico. A lógica é: quanto mais frágil o controle, maior a probabilidade de irregularidades passarem batido. Esse conceito é bem alinhado à literatura de auditoria e também à lógica da NBC TA 200 e da NBC TA 315, que tratam da avaliação de riscos e dos controles da entidade. Resumo de prova: se o enunciado fala em ausência, fragilidade ou ineficácia dos controles internos, pense em risco de controle. Se falasse em erro da auditoria ao não perceber uma distorção, aí seria risco de detecção. Aqui, o defeito está dentro da própria gestão do órgão, então o gabarito é a letra A.