Na busca por evidências nos trabalhos de auditoria, há que se ter em conta alguns atributos. A confiabilidade é um deles, que assegura que serão obtidos os mesmos resultados se a auditoria for repetida. Ao avaliar uma evidência de auditoria sob o crivo da confiabilidade, é necessário considerar que:
- A)a adoção de abordagens uniformes na busca de evidências é recomendada;
Errada, porque a auditoria não recomenda abordagem uniforme para evidências, já que a confiabilidade depende da natureza e da fonte da informação.
- B)evidências analíticas, em geral, têm o mesmo nível de confiabilidade daquelas obtidas indiretamente;
Errada, porque evidência analítica não tem, em geral, o mesmo nível de confiabilidade de evidência obtida diretamente; tudo depende da qualidade dos dados e dos procedimentos.
- C)evidências de fontes externas, em geral, são mais confiáveis que internas;
Certa, pois evidências provenientes de fonte externa costumam ser mais confiáveis do que as internas, segundo a lógica da NBC TA 500.
- D)evidências documentais são tão confiáveis quanto orais, quando são reduzidas a termo;
Errada, porque reduzir a termo não faz uma evidência oral virar tão confiável quanto a documental; o que importa é a origem e a natureza da prova.
- E)o uso de diferentes fontes de informação pode ser inconveniente e custoso.
Errada, porque custo e conveniência não definem confiabilidade da evidência; o ponto aqui é a qualidade da prova, não a praticidade da coleta.
Gabarito: C
Na auditoria, nem toda evidência tem o mesmo peso. Quando a banca fala em confiabilidade, ela quer saber o quanto aquela prova inspira confiança e se tende a produzir resultados consistentes se o trabalho fosse repetido. Em termos simples: quanto menos espaço para “achismo”, melhor. A regra prática é bem conhecida na doutrina e nas NBC TA, especialmente a NBC TA 500: evidência obtida de fonte independente da entidade costuma ser mais confiável do que a gerada dentro da própria empresa. Por isso, documentos externos, confirmações de terceiros e respostas vindas de fora do ambiente auditado geralmente valem mais na balança do auditor. Isso acontece porque fontes internas podem sofrer maior influência de controle, viés ou até erro de registro. Já a informação vinda de terceiros tende a ter mais credibilidade, principalmente quando é obtida diretamente e por meios mais seguros. Não é que toda evidência interna seja ruim, mas, em geral, a externa leva vantagem. Por isso, o gabarito é a letra C. A afirmação está alinhada com o critério clássico de confiabilidade da prova de auditoria: evidências de fontes externas, em geral, são mais confiáveis que internas. É o tipo de ideia que a FGV gosta de cobrar com cara de “óbvio”, mas com pegadinha escondida no meio.