Após participar de um seminário sobre governança pública e ter contato com diversos relatos sobre os impactos da boa governança nos objetivos de uma organização, o gestor de uma entidade pública solicitou à sua assessoria direta que aplicasse o Novo Modelo das Três Linhas 2020 de The Institute of Internal Auditors à estrutura da entidade. O gestor sempre questionava a relevância e a efetividade do trabalho da auditoria interna, mas ao analisar esse papel sob a ótica do novo modelo, o gestor compreendeu que a auditoria interna:
- A)estabelece estruturas e processos para a governança organizacional;
Errada, porque estabelecer estruturas e processos de governança é papel da alta administração e dos responsáveis pela governança, não da auditoria interna.
- B)monitora questões relacionadas à efetividade da gestão de riscos;
Errada, pois monitorar a efetividade da gestão de riscos é atuação típica da segunda linha, enquanto a auditoria interna apenas avalia independentemente esse arranjo.
- C)provê informações aos stakeholders acerca da supervisão organizacional;
Errada, porque fornecer informações aos stakeholders sobre a supervisão organizacional é uma função ligada à governança e à prestação de contas, não à auditoria interna.
- D)protagoniza ações para atingimento dos objetivos organizacionais;
Errada, já que protagonizar ações para atingir objetivos organizacionais é função de gestão, ou seja, da primeira linha.
- E)avalia de forma independente questões relativas ao atingimento dos objetivos da entidade.
Certa, porque a auditoria interna faz a avaliação independente e objetiva sobre governança, riscos e controles, inclusive quanto ao atingimento dos objetivos da entidade.
Gabarito: E
No Novo Modelo das Três Linhas 2020 do IIA, a auditoria interna fica na terceira linha. Ela não faz a gestão do dia a dia, nem vira dona dos controles: sua função é avaliar de forma independente e objetiva se governança, gestão de riscos e controles estão funcionando como deveriam. É aquela visão de fora do jogo, mas dentro da organização, conferindo se o time está realmente jogando bem. No modelo, a primeira linha é quem executa e gerencia os riscos; a segunda linha apoia, monitora e orienta em temas como risco, conformidade e controles; e a terceira linha traz a avaliação independente. Por isso, a auditoria interna não protagoniza ações para atingir objetivos, nem estabelece a estrutura de governança, nem assume a supervisão da gestão. Ela verifica e dá segurança sobre o que está acontecendo. A alternativa E está correta porque traduz exatamente essa missão: a auditoria interna avalia, com independência, questões relativas ao atingimento dos objetivos da entidade. Isso está alinhado ao IIA, que define a auditoria interna como atividade independente e objetiva de avaliação e consultoria, voltada a agregar valor e melhorar as operações. Em concurso, fique atento ao verbo: se a frase fala em avaliar, monitorar, prover assurance ou opinar com independência, você está perto da auditoria interna. Se falar em gerir, executar ou decidir, já é outra linha do modelo.