Um rio, antes do lançamento de um distrito de indústrias alimentícias, possuía uma vazão de 33.800 m3/dia e uma concentração de oxigênio dissolvido igual a 8,2 mg/L. Nesse local, a concentração de saturação de oxigênio é de 8,76 mg/L. A falta de tratamento adequado e de fiscalização eficiente faz com que os despejos do distrito industrial estejam em condições sépticas, isto é, com concentração de oxigênio de 0 mg/L. Nesse cenário é válida a hipótese de mistura completa instantânea. Pode-se considerar ainda que a concentração de oxigênio dissolvido não é imediatamente afetada pela ação de bactérias. Sabendo-se que a vazão de lançamento do distrito industrial é de 7200 m3/dia, o déficit de oxigênio (DO) no rio logo após o ponto de lançamento é de:
- A)1,2 mg/L;
Errada, porque 1,2 mg/L subestima o déficit obtido pelo balanço de mistura instantânea.
- B)2,0 mg/L;
Certa, pois a mistura ponderada dá OD de 6,76 mg/L e o déficit em relação à saturação é 2,0 mg/L.
- C)3,6 mg/L;
Errada, porque 3,6 mg/L é maior do que o déficit calculado após a mistura imediata.
- D)5,8 mg/L;
Errada, pois 5,8 mg/L confundiria o déficit com uma queda muito mais severa do que a indicada pelos dados.
- E)8,4 mg/L.
Errada, porque 8,4 mg/L quase igualaria o valor de saturação, ignorando a diluição pelo rio.
Gabarito: B
Em problemas de mistura em rios, a ideia é bem direta: voce faz um balanço de massa da concentração, assumindo mistura completa instantânea. Isso significa que, logo após o ponto de lançamento, a concentração final no trecho misturado é a média ponderada pelas vazões, sem ainda considerar a ação de bactérias ou a chamada curva de depleção de oxigênio. Aqui o rio tinha 33.800 m3/dia com OD de 8,2 mg/L, e o despejo tinha 7.200 m3/dia com OD igual a 0. Então a concentração logo após a mistura fica: (33.800 x 8,2 + 7.200 x 0) / (33.800 + 7.200) = 6,76 mg/L, aproximadamente. Como a concentração de saturação é 8,76 mg/L, o déficit de oxigênio no ponto misturado é 8,76 - 6,76 = 2,0 mg/L. Ou seja, o rio ainda não está saturado, mas o “tombo” de oxigênio foi bem calculado pela mistura. É matemática de concurso com cara de ecologia. Esse tipo de raciocínio é clássico em questões de qualidade da água: primeiro mistura, depois, se o enunciado pedir, entra a atividade biológica. Como aqui a questão diz que a ação bacteriana não afeta imediatamente o OD, voce fica só no balanço de vazões mesmo.