Uma das técnicas mais usadas na etapa de planejamento de um trabalho de auditoria é a matriz de análise de riscos, que tem entre seus objetivos identificar e ponderar os riscos inerentes e de controle relativos às atividades auditadas. Nesse contexto, o risco inerente
- A)conduz o trabalho a um nível de asseguração limitado.
Errada, porque nível de asseguração limitado se relaciona ao tipo de trabalho de asseguração, não ao conceito de risco inerente.
- B)decorre, apesar da aplicação de procedimentos de controle.
Errada, porque o risco inerente existe antes de qualquer controle; ele não decorre da aplicação de procedimentos de controle.
- C)deve preceder a avaliação do risco residual.
Certa, porque o risco inerente é a base da análise e deve ser considerado antes do risco residual, que depende dos controles existentes.
- D)não pode afetar o risco de distorção relevante.
Errada, porque o risco inerente pode sim influenciar o risco de distorção relevante, sendo um de seus componentes centrais.
- E)é aplicado somente no contexto de auditorias de conformidade.
Errada, porque risco inerente é conceito geral de auditoria e não fica restrito à auditoria de conformidade.
Gabarito: C
Na auditoria, pensar em risco é quase montar um mapa de estrada: você precisa enxergar onde o problema pode nascer, onde ele pode ser barrado e onde ainda pode sobrar risco mesmo depois dos controles. É por isso que a matriz de análise de riscos ajuda tanto no planejamento: ela organiza os riscos inerentes, os controles existentes e o risco que continua depois deles, o chamado risco residual. O risco inerente é o risco “natural” da atividade, antes de considerar os controles internos. Ele está ligado à própria natureza da operação, do processo, do evento ou da conta auditada. Já o risco de controle depende da eficácia dos controles da entidade em evitar ou detectar distorções relevantes. Primeiro você identifica o risco inerente, depois verifica como os controles atuam sobre ele e, por fim, chega ao risco residual, que é o que sobra após a consideração dos controles. Por isso o gabarito é a letra C: o risco inerente deve ser avaliado antes do risco residual, porque o residual só existe quando você já olhou para o risco inicial e para os controles que podem reduzi-lo. Se você inverter essa ordem, a lógica da auditoria fica capenga, como conferir a conta depois de já ter decidido o resultado. A base conceitual é clássica na literatura de auditoria e também aparece na estrutura das Normas Brasileiras de Contabilidade aplicáveis à auditoria, que tratam do entendimento da entidade, do ambiente de controle e da avaliação de riscos de distorção relevante. Em auditoria, essa sequência importa: primeiro o risco inerente, depois os controles, e então o risco remanescente.