A Unidade de Auditoria Interna Governamental (UAIG) considerou inadequado o ambiente de controle em um órgão do Poder Executivo Federal. O dirigente máximo do órgão contestou a conclusão da UAIG, alegando que: • o código de ética dos servidores é disseminado e bem conhecido pelo pessoal; • há normas e manuais de execução para quase todas as atividades; • as responsabilidades estão adequadamente definidas em norma; • os servidores têm seu desempenho avaliado periodicamente e recebem feedback sobre os pontos em que precisam evoluir. Nesse caso, um dos motivos que levaram a UAIG a considerar inadequado o ambiente de controle pode ter sido:
- A)controles internos insuficientes em alguns processos de trabalho;
Errada, porque controles insuficientes em processos específicos dizem respeito mais a atividades de controle do que ao ambiente de controle como um todo.
- B)estilo gerencial que não valoriza a supervisão dos controles internos da gestão;
Certa, porque o ambiente de controle depende fortemente do estilo gerencial e da valorização da supervisão dos controles internos pela alta administração.
- C)insuficiência no alcance das metas do último exercício;
Errada, porque alcance de metas é tema de desempenho da gestão, não um critério direto para classificar o ambiente de controle como inadequado.
- D)deficiências no fluxo das informações em determinado processo de trabalho finalístico;
Errada, porque deficiência no fluxo de informações se relaciona principalmente à comunicação e informação, e não ao ambiente de controle.
- E)existência de alguns casos de descumprimento do código de ética, os quais resultaram em aplicação de sanções.
Errada, porque a existência de punições por descumprimento ético mostra atuação corretiva, não a causa típica de ambiente de controle inadequado.
Gabarito: B
O ambiente de controle é a base do sistema de controles internos. Ele diz muito sobre o “clima” da organização: a postura da alta administração, a integridade e os valores éticos, a forma como as responsabilidades são distribuídas, a competência das pessoas e o modo como elas são acompanhadas. Em auditoria governamental, quando esse ambiente é fraco, os demais controles até podem existir, mas perdem força porque a liderança não sustenta a cultura de controle. No enunciado, o dirigente tentou se defender dizendo que há código de ética, manuais, definição de responsabilidades e avaliação de desempenho. Tudo isso ajuda, sim, a compor um bom ambiente de controle. Mas o ponto central é outro: a UAIG pode ter concluído que o estilo gerencial do órgão não valoriza a supervisão dos controles internos. Se a chefia não acompanha, não cobra e não dá importância aos controles, o ambiente fica inadequado, mesmo com normas bonitas no papel. É por isso que o gabarito é a letra B. A literatura de auditoria interna governamental e os referenciais de controle interno, como o COSO, destacam que o compromisso da alta administração com a supervisão e com a cultura de controle é elemento essencial do ambiente de controle. Em outras palavras: não basta ter manual na gaveta e código no mural; a direção precisa viver isso no dia a dia. As outras alternativas tratam mais de falhas operacionais, metas, fluxo de informação ou até de casos pontuais de descumprimento ético, mas não explicam tão diretamente a avaliação negativa do ambiente de controle quanto a postura gerencial da alta administração.