Um auditor interno governamental inexperiente pergunta ao seu colega de equipe mais antigo como deve ser a comunicação com a unidade auditada durante a execução da auditoria. O colega responde que os auditores internos devem manter boas relações profissionais com os auditados, além de promover um fluxo de informações livre e aberto. Essa resposta dada pelo auditor mais antigo está:
- A)incompleta, pois os auditores internos devem guardar para si as informações referentes a possíveis achados de auditoria, reservando-as para o relatório final;
Errada, porque o auditor não deve esconder achados para só revelar tudo no relatório final; a execução exige troca de informações com a unidade auditada.
- B)incompleta, pois pode haver informações não públicas, para as quais devem ser respeitados os requisitos de confidencialidade;
Certa, porque além de manter boas relações e fluxo aberto de informações, o auditor deve respeitar a confidencialidade quando houver dados não públicos.
- C)equivocada, pois os auditores internos devem interagir minimamente com a unidade auditada, de modo a preservar sua independência e objetividade;
Errada, pois a independência não exige isolamento do auditado; o auditor deve interagir de forma adequada para obter evidências e esclarecer fatos.
- D)correta, pois a comunicação entre auditor e auditado para solicitação e entrega de informações deve ser informal, dando-se preferência à comunicação oral em detrimento da escrita;
Errada, porque a comunicação não precisa ser informal nem preferencialmente oral; documentos e registros escritos são importantes na auditoria.
- E)equivocada, pois o auditado deve se limitar a responder o que lhe foi perguntado e a enviar as informações solicitadas.
Errada, porque o auditado pode e deve dialogar com a equipe, esclarecer pontos e fornecer contexto, e não apenas responder mecanicamente ao que foi perguntado.
Gabarito: B
Na auditoria governamental, a comunicação com a unidade auditada precisa ser profissional, aberta e suficiente para que a equipe de auditoria consiga entender processos, pedir evidências e esclarecer fatos sem clima de guerra. A ideia não é tratar o auditado como adversário, mas como fonte importante de informação para o trabalho ficar completo e útil. Só que esse diálogo tem limite: nem toda informação pode circular livremente. Em auditoria, pode haver dados sigilosos, sensíveis ou protegidos por dever de confidencialidade, e o auditor deve respeitar isso durante toda a execução. Ou seja, fluxo aberto de informações, sim; exposição descuidada de informações, não. Por isso, a resposta do colega está incompleta. Ela acerta ao falar de boas relações profissionais e de comunicação franca, mas esquece um ponto essencial da prática e das normas de auditoria: a preservação da confidencialidade. Em auditoria interna governamental, esse cuidado aparece como dever técnico e ético, em linha com as normas de auditoria interna do setor público e com o princípio de sigilo sobre informações obtidas no trabalho. Em resumo: o auditor conversa bastante, sim, mas não sai distribuindo tudo como se fosse panfleto. Informação aberta, relacionamento profissional e confidencialidade precisam andar juntos.