Numa auditoria de demonstrações contábeis, foi determinado que o risco de auditoria seria muito baixo. O auditor independente avaliou os riscos de distorção relevante para, em seguida, estabelecer o nível de risco de detecção aceitável. O auditor deve ter em mente que:
- A)controles internos eficazes contribuem para elevar o risco de controle;
Errada, porque controles internos eficazes reduzem o risco de controle, e não o elevam.
- B)controles internos eficazes podem eliminar o risco de controle;
Errada, porque controles internos eficazes podem reduzir bastante o risco de controle, mas não o eliminam por completo.
- C)quanto maiores forem os riscos de distorção relevante, menor será o risco de detecção;
Certa, pois quanto maior o risco de distorção relevante, menor deve ser o risco de detecção aceitável pelo auditor.
- D)os riscos de distorção relevante no nível da afirmação têm dois componentes: o risco inerente e o risco de auditoria;
Errada, porque o risco de distorção relevante no nível da afirmação é formado por risco inerente e risco de controle, não por risco de auditoria.
- E)procedimentos de auditoria bem desenhados e adequadamente aplicados contribuem para redução do risco inerente.
Errada, porque procedimentos de auditoria afetam o risco de detecção, e não o risco inerente.
Gabarito: C
Na auditoria de demonstrações contábeis, o auditor trabalha com o famoso tripé: risco inerente, risco de controle e risco de detecção. A lógica é simples: quanto maior a chance de haver distorção relevante nas demonstrações, menor precisa ser o espaço deixado para o erro passar sem ser percebido nos testes do auditor. O risco de distorção relevante é analisado no nível das afirmações, isto é, naquilo que a administração está dizendo nas demonstrações contábeis. Esse risco resulta da combinação entre risco inerente e risco de controle, e não inclui risco de auditoria. Já o risco de detecção é o risco de os procedimentos do auditor não encontrarem uma distorção que já existe. Se o risco de distorção relevante sobe, o auditor precisa apertar a malha e reduzir o risco de detecção aceitável. Por isso, a alternativa C está correta: quanto maiores forem os riscos de distorção relevante, menor será o risco de detecção. Essa é a essência do modelo de risco de auditoria previsto nas normas brasileiras convergentes com as NBC TA, especialmente a NBC TA 200 e a NBC TA 315. As demais alternativas misturam conceitos. Controles internos eficazes tendem a reduzir o risco de controle, não elevá-lo nem eliminá-lo totalmente, e procedimentos de auditoria bem feitos reduzem o risco de detecção, não o risco inerente. Em prova, a banca gosta justamente dessa troca de nomes para ver se você escorrega no detalhe.