Ao mapear os riscos de um processo de trabalho, os gestores de determinado órgão do Poder Executivo Federal identificaram os seguintes riscos: • R1: risco de perda de confiança da sociedade na capacidade operacional do órgão; • R2: risco de contingenciamento do orçamento; • R3: risco de perda de capacidade operacional em virtude de aposentadoria iminente de vários servidores; • R4: risco de interrupção de serviços essenciais em virtude de uma pandemia que pode reduzir drasticamente a força de trabalho do órgão por alguns dias. Para avaliar esses riscos, será necessário:
- A)solicitar ao órgão de controle interno a realização de um trabalho de avaliação;
Errada, porque a avaliação dos riscos é responsabilidade da própria gestão e não exige, por si só, solicitar trabalho ao órgão de controle interno.
- B)desconsiderar R1 e R2, por se tratar de riscos externos ao órgão;
Errada, porque riscos externos também devem ser considerados na análise, já que podem afetar os objetivos do órgão.
- C)entrevistar os servidores aposentados, para que seja possível mensurar o impacto do risco R3;
Errada, porque entrevistar aposentados não é requisito para mensurar o risco; o foco é estimar probabilidade e impacto com base em informações de gestão.
- D)estimar a probabilidade e o impacto da ocorrência de cada um dos riscos;
Certa, porque a avaliação de riscos exige estimar a probabilidade de ocorrência e o impacto de cada evento de risco.
- E)desconsiderar o risco R4, por se tratar de situação excepcional de caráter temporário.
Errada, porque risco temporário ou excepcional não deve ser descartado automaticamente se puder comprometer objetivos e continuidade do serviço.
Gabarito: D
Na gestão de riscos, o primeiro passo não é entrar em modo drama e sair eliminando riscos que parecem “externos” ou “temporários”. O correto é identificar o evento de risco e, depois, estimar sua probabilidade de ocorrência e seu impacto sobre os objetivos do órgão. É essa dupla que permite comparar riscos e definir prioridade de resposta: o que pode acontecer e o quanto dói se acontecer. Perceba que os quatro riscos citados são diferentes, mas todos podem afetar o alcance dos objetivos institucionais. Perda de confiança da sociedade, contingenciamento, aposentadorias em massa e pandemia podem atingir a capacidade operacional, a continuidade do serviço e a entrega de resultados. Em auditoria e gestão de riscos, o fato de o risco vir de fora do órgão ou de ser temporário não autoriza simplesmente ignorá-lo. Por isso, o gabarito é a letra D: para avaliar os riscos, será necessário estimar a probabilidade e o impacto da ocorrência de cada um. Essa é a lógica clássica de matriz de riscos, amplamente usada em gestão de riscos no setor público e alinhada aos referenciais de controle interno e governança, como os princípios da gestão de riscos da ISO 31000 e os modelos adotados na administração pública federal. Em resumo: risco se avalia com probabilidade e impacto, não com simpatia nem com chute elegante. Depois dessa conta, o órgão decide se vai evitar, mitigar, compartilhar ou aceitar o risco.