Uma equipe da Unidade de Auditoria Interna Governamental (UAIG) é designada para conduzir trabalho de consultoria, com o objetivo de assessorar e aconselhar a alta administração quanto à implantação de um novo programa de governo sob a responsabilidade de determinada entidade do Poder Executivo Federal. Ainda no planejamento dos trabalhos, a equipe percebe que os servidores da unidade auditada não detêm conhecimentos básicos sobre governança e gerenciamento de riscos. A equipe pode:
- A)assumir responsabilidade sobre a gestão e seus resultados;
Errada, porque a UAIG não pode assumir responsabilidade pela gestão nem pelos resultados da administração auditada.
- B)propor a realização de atividades de capacitação conduzidas pela UAIG;
Certa, porque a consultoria pode incluir ações de orientação e capacitação para apoiar a melhoria da governança e do gerenciamento de riscos.
- C)definir o escopo e o prazo do trabalho de consultoria, deixando que a unidade auditada defina os objetivos e a natureza dos serviços;
Errada, porque a definição do escopo e da natureza do trabalho é da equipe de consultoria, e não da unidade auditada.
- D)comunicar os resultados do trabalho de consultoria à alta administração da unidade auditada e a outros interessados, a critério da equipe;
Errada, porque a comunicação dos resultados não fica a critério livre da equipe; deve seguir as regras de reporte e necessidade de conhecimento dos interessados.
- E)aplicar, no âmbito do trabalho de consultoria, técnicas típicas de trabalhos de apuração, de modo a averiguar atos e fatos inquinados de ilegalidade ou de irregularidade.
Errada, porque técnicas de apuração de ilegalidades são típicas de trabalhos de investigação/apuração, não de consultoria.
Gabarito: B
Em trabalhos de consultoria, a UAIG atua para orientar, assessorar e agregar valor, sem virar a dona do programa. A ideia é ajudar a administração a melhorar governança, gerenciamento de riscos e controles internos, mas a responsabilidade pela gestão continua sendo da unidade auditada. Isso aparece na lógica das normas de auditoria interna governamental e no modelo das Três Linhas: a auditoria aconselha, não assume o volante. No caso, a equipe percebeu que os servidores não têm noções básicas de governança e riscos. Nessa situação, faz sentido propor ações de capacitação, inclusive conduzidas pela própria UAIG, desde que isso esteja alinhado ao objetivo da consultoria e não transforme a auditoria em gestora do processo. A consultoria pode, sim, apoiar com orientação e desenvolvimento de competências. As demais alternativas escorregam em pontos clássicos: assumir a gestão é proibido, deixar a unidade definir sozinha o escopo e a natureza do serviço inverte papéis, comunicar resultados fica sujeito a critérios de transparência e necessidade de conhecimento pelos interessados, e usar técnicas de apuração típica de irregularidade desloca o trabalho para outra natureza de atuação. Em resumo: consultoria ajuda a organização a se fortalecer, não a substituir quem deve gerir.