No relatório do auditor independente, uma demonstração contábil deve ser mencionada no parágrafo de Outros Assuntos. Assinale a opção que indica, de acordo com as normas de auditoria, a demonstração contábil e o motivo para a apresentação.
- A)Demonstração do Valor Adicionado, por ter obrigatoriedade recente no Brasil.
Errada, porque a obrigatoriedade recente no Brasil não é o motivo técnico que justifica a menção em Outros Assuntos no relatório do auditor.
- B)Demonstração do Valor Adicionado, por não ser obrigatória de acordo com as normas internacionais.
Certa, porque a DVA não é obrigatória pelas normas internacionais, o que explica sua menção no contexto do relatório de auditoria.
- C)Demonstração do Resultado Abrangente, por ter obrigatoriedade recente no Brasil.
Errada, porque a Demonstração do Resultado Abrangente não é apontada aqui como tema de Outros Assuntos por obrigatoriedade recente no Brasil.
- D)Demonstração do Resultado Abrangente, por poder ser apresentada em conjunto com outras demonstrações contábeis.
Errada, porque a possibilidade de apresentação conjunta com outras demonstrações contábeis não é o fundamento pedido pela norma para essa menção.
- E)Demonstração dos Fluxos de Caixa, por ter substituído a Demonstração de Origens e Aplicações de Recursos.
Errada, porque a Demonstração dos Fluxos de Caixa é demonstração básica exigida, e a justificativa dada não corresponde ao motivo de menção em Outros Assuntos.
Gabarito: B
A lógica aqui é lembrar como o auditor independente organiza o relatório. O parágrafo de Outros Assuntos serve para tratar de assuntos que não estão apresentados ou divulgados nas demonstrações contábeis, mas que são relevantes para o entendimento da auditoria ou do relatório. Em prova, isso costuma aparecer quando a banca mistura demonstração contábil obrigatória no Brasil com exigência internacional. A pegadinha é essa: nem tudo que a lei brasileira cobra também existe nas normas internacionais. A Demonstração do Valor Adicionado (DVA) é um bom exemplo. Ela tem previsão na legislação societária brasileira para certas companhias, mas não é exigida pelas normas internacionais de relatório financeiro (IFRS). Por isso, quando a questão fala em demonstração que deve ser mencionada no parágrafo de Outros Assuntos, o foco é justamente o fato de ela não ser obrigatória internacionalmente. Ou seja, a menção decorre da sua condição de informação adicional no contexto das normas internacionais, e não de uma obrigação universal. Em termos de norma, a referência passa pela NBC TA 706, que disciplina os parágrafos de ênfase e de outros assuntos no relatório do auditor independente. O raciocínio da FGV costuma ser esse: se a demonstração não faz parte do núcleo obrigatório das IFRS, ela pode aparecer como informação suplementar e ser destacada em Outros Assuntos. Então, a alternativa B está correta porque identifica a DVA e o motivo adequado: ela não é obrigatória de acordo com as normas internacionais. Resumo de prova: se aparecer DVA, desconfie do impulso de pensar só na legislação brasileira. Em auditoria, a banca gosta de comparar Brasil x IFRS para testar se você sabe o que é exigência legal local e o que é exigência das normas internacionais.