No contexto da Auditoria Financeira, o auditor deve avaliar os riscos de distorção relevante no nível das demonstrações financeiras e no nível de afirmações para classes de transações, saldos de contas e divulgações, para fornecer uma base para procedimentos adicionais de auditoria. São procedimentos recomendados para essa avaliação pela NBASP 200 (ISSAI 200):
- A)circularização e conferência de cálculos;
Errada, porque circularização e conferência de cálculos são procedimentos mais ligados a testes substantivos do que à avaliação inicial de riscos.
- B)confirmação externa e indagação;
Errada, porque confirmação externa e indagação não formam a combinação típica cobrada para essa finalidade; a confirmação externa é técnica de evidência mais específica.
- C)inspeção e conciliação;
Errada, porque conciliação pode ser útil em auditoria, mas não é a dupla mais característica prevista para avaliação de risco pela norma citada.
- D)observação e inspeção;
Certa, porque observação e inspeção são procedimentos clássicos de avaliação de riscos e de entendimento do funcionamento dos controles e processos.
- E)reexecução e circularização.
Errada, porque reexecução e circularização são técnicas mais associadas à obtenção de evidência sobre a execução e sobre saldos, não ao levantamento inicial de riscos.
Gabarito: D
Na avaliação dos riscos de distorção relevante, o auditor não vai direto para testes mais profundos sem antes entender o ambiente e o comportamento das transações. A NBASP 200, em linha com a lógica das ISSAIs e da NBC TA 315/200, indica procedimentos de avaliação de risco como indagação, observação, inspeção e procedimentos analíticos. A ideia é obter conhecimento inicial suficiente para planejar a auditoria com mais precisão. Entre essas técnicas, a questão destacou a combinação de observação e inspeção, que são clássicas para essa etapa. Observar processos em funcionamento ajuda o auditor a entender como os controles e rotinas realmente acontecem na prática, e inspecionar documentos, registros e relatórios ajuda a conferir evidências sobre a existência e a formalização desses controles. É o tipo de dupla que dá uma boa fotografia do processo, antes de o auditor entrar no modo investigativo pesado. Por isso, o gabarito é a letra D. As demais alternativas misturam procedimentos que são muito mais ligados a testes substantivos ou de confirmação, como circularização, confirmação externa e reexecução, que servem para obter evidência sobre saldos, direitos, obrigações ou cálculos, mas não são a dupla mais característica da avaliação de riscos inicial. Em prova, guarde a lógica: risco primeiro, evidência específica depois. Na fase de avaliação de risco, a banca costuma cobrar justamente os procedimentos básicos de entendimento da entidade, e aí observação e inspeção aparecem com força.