No planejamento de uma auditoria de demonstrações contábeis, o auditor está empenhado em planejar os procedimentos de auditoria em resposta aos riscos de distorção relevante no nível das afirmações. O auditor avalia que procedimentos deverá aplicar em relação aos seguintes controles, nos quais ele planeja confiar: • Controle C1: foi avaliado como operacionalmente efetivo em auditoria realizada há cinco anos e não foi testado nas auditorias seguintes; • Controle C2: refere-se a risco significativo e foi avaliado como operacionalmente efetivo nas auditorias dos últimos cinco exercícios; e • Controle C3: foi implementado no exercício anterior e refere-se a risco significativo. O auditor tem convicção de que as evidências a respeito da efetividade operacional de C1 e C2 continuam relevantes e não houve alterações significativas em nenhum dos dois controles. O auditor deve:
- A)testar C3 e considerar desnecessário testar C1 e C2;
Errada, porque C1 e C2 ainda exigem teste, e C3 também não pode ser dispensado por ser novo e ligado a risco significativo.
- B)testar C1 e C2 e considerar desnecessário testar C3;
Errada, porque C3 também deve ser testado no período corrente, já que foi implementado no exercício anterior e envolve risco significativo.
- C)testar C1 e C3 e considerar desnecessário testar C2;
Errada, porque C2 não pode ser dispensado só por ter funcionado em anos anteriores, pois se trata de risco significativo.
- D)testar C1, C2 e C3;
Certa, porque os três controles precisam ser testados: C1 pela antiguidade da evidência, C2 por envolver risco significativo e C3 por ter sido recentemente implementado.
- E)considerar desnecessário testar C1, C2 e C3.
Errada, porque não dá para dispensar todos: a confiança em controles exige evidência atual ou ainda válida, o que não ocorre aqui.
Gabarito: D
Em auditoria, confiança em controle não é cheque em branco. Se voce quer usar um controle como base para reduzir testes substantivos, precisa obter evidência suficiente e apropriada da efetividade operacional dele no período, ou comprovar que a evidência de períodos anteriores ainda continua válida, sem mudanças relevantes. Isso está alinhado com a NBC TA 330 (equivalente à ISA 330), que trata das respostas do auditor aos riscos avaliados. No caso do C1, a evidência é antiga demais: foi testado há cinco anos e ficou sem teste nas auditorias seguintes. Mesmo que o controle não tenha mudado, o tempo passou e a confiança precisa ser renovada. Então, ele deve ser testado. O C2 também precisa ser testado. Aqui existe um detalhe importante: ele se refere a risco significativo. Para risco significativo, a banca costuma cobrar que o auditor teste o controle no período corrente, porque não basta importar a segurança de anos anteriores como se fosse receita pronta. A efetividade passada ajuda na avaliação, mas não substitui o teste atual quando o risco é relevante desse jeito. Já o C3 foi implementado no exercício anterior e também está ligado a risco significativo. Controle novo ou recentemente implementado pede teste no período corrente, porque ainda não existe histórico suficiente para “apostar” nele. Por isso, o gabarito é a alternativa D: testar C1, C2 e C3.